I
As palavras
Raras,
Escritas
Ou pronunciadas,
São como as balas
De tantas
Espingardas
Que se desvanecem nas" lalas"
Das nossas "sanzalas",
Das nossas favelas,
Das nossas aldeolas,
Das nossas vilas...
II
Apropriamo -nos delas,
Para transmitirmos os nossos sentimentos,
As nossas paixões,
As nossas emoções,
Com ou sem razões,
Os nossos fundamentos
Sobre determinadas sequelas
Que afectam o nosso amor,
O nosso interior...
III
Oh palavras!
A todas as horas
E com honras,
Para denunciar as desonras
De várias criaturas
Em várias terras!
IV
Mas o medo,
O pavor,
De ferir a susceptibilidade,
De cada individualidade,
Impede,
Muitas das vezes,
De as pronunciar,
De as escrever.
V
Queria dizer
O que neste momento
Sinto!
Mas um outro sentido,
Diz-me para não o fazer
E guardo-o no meu âmago,
No fundo do meu coração
Só para mim!
O meu amor está desfeito
E nada mais sobra,
Nada mais resta!
Tudo
Está acabado
E nem como marido,
Porque agora só se diz:" Que marido" !
FREAMUNDE (PAÇOS FERREIRA-5ª FEIRA- 23 H 55 MINUTOS), 18 DE ABRIL DE 2013.
KANKAMBAL (MATTOS FERREIRA- NDO)
quinta-feira, 18 de abril de 2013
LONGO/ TEMPO CEGO/
I
Oh! Quanto
Tempo
Naquele campo
Tão hirto
E hermético,
Que condicionou o meu ser
Em todo o meu viver!
II
Não sabia
O que era
Não,
Em relação
A tudo que dizia
Respeito
A qualquer
Criatura,
A qualquer
Sujeito!
A minha mão,
Evitava
Qualquer
Tampão,
Quando um irmão,
Necessitava
De um empurrão
Para vir a ter
Um pão.
Apenas ansiava
Que cada um tivesse
E abraçasse
À evolução,
À progressão,
Na medida da sua missão
E da sua ambição,
Pessoal
E profissional.
III
Ao longo
De muito
Tempo,
Tenho escrito
O meu pensamento
Relativamente ao meu sentimento,
Sobre tudo o que sinto
Concernente a um vulto
Que tem feito
E deixado o meu coração desfeito
De leito
Em leito
Num estrago.
IV
A paixão,
Deixa a visão
Em erosão
Até a um caixão,
Pois a razão,
Nunca vem de antemão,
Para a prevenção
Da desilusão
Do coração!
V
O amor
É o primor
Do esplendor
Que afasta a dor,
Ao nosso redor,
E faz cada um de nós um servidor
Para qualquer pecador!
V
Oh! Como me mergulhei
Na Idade
Média!
Como fui um estupor
A todo o vapor!
Tudo, por causa da fome e da sede
Do amor!
Espalhei
A dor
Ao meu redor,
Julgando ser um defensor
De um amor
Genuíno,
Puro,
Verdadeiro,
Quase divino,
Incolor,
Algo
Que irradia
A felicidade,
Mesmo na miséria
E na precaridade
Da nossa condição humana
E terrena!
Oh! Como fui cego
Ao longo
De muito tempo!
Um simples farrapo!
Um trapo
Para deixar tudo limpo!
VI
Mas, no entanto,
Não me arrependo
De tudo
O que tenho feito
Para o bem do meu semelhante!
Sinto-me radiante,
Ainda que triste
Por ter falhado
Como um pai,
Como um marido
Que não sai
E vai
À procura
Duma farra,
Para compensar
A mágoa
Em (ou de ) Lisboa!!!
FREAMUNDE (PAÇOS DE FERREIRA- 5ª FEIRA, 22 H 30 MINUTOS), 18 DE ABRIL DE 2013.
KANKAMBAL (MATTOS FERREIRA-NDO)
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