I
A minha mensagem
como um homem
que está sempre em viagem,
Não encontra o eco
Em nenhum buraco!
Tudo me é opaco,
Nem tão pouco
Naquele homem manjaco,
Porque não tenho nenhum "taco".
II
Ao meu redor,
só a dor
Do meu grande amor!
Todo o meu suor,
É encontrar o calor
Naquele que não tem vigor,
Que não tem responsabilidade
Na sua comunidade
E que só fere a susceptibilidade
Daqueles que nele têm a amizade,
A solidariedade,
A confiança,
A esperança
E nele, esperam a segurança
Na crise,
Na velhice
e na decrepitude !
III
Ó Farã Mattos!
Dos tempos remotos
Sem mais contos,
Os seus netos
E bisnetos
Aguardam ansiosamente os seus rebentos,
Os seus frutos
Tão fastos,
Bem como os seus ricos e repletos
Ensinamentos
Deixados nos matos
De Kantoma,
De Bolama,
De Kantchuma,
De Bodjol,
De Quínara,
De S. João,
De Fulacunda,
De Empada, etc, etc.
IV
Ó minha
Nhanha!
A sua manha
Contida na minha
Entranha,
Conduz-me a cada estrelinha
Algures no cimo de cada montanha!
V
A todos
Vós,
Vos peço,
A força
E a esperança
Para que nada me impeça
Mesmo que cada desgraça
me bata
Diariamente a porta,
De assistir a graça
Dos meus queridos filhos!
VI
Iluminai
O meu filho
Que está seguindo um trilho
De pouco brilho
De vadiagem,
De banditismo,
De delinquência
E da indecência!
VII
Estou sozinho
No caminho
Que não adivinho
Seja ou não risonho
Para o futuro dos meus descendentes,
Porque não tenho
Fontes
nem vestes.
VIII
Sou culpado
De todo
O comportamento pouco adequado
Do meu querido
Filho,
Porque eduquei-o com o amor,
Carinho,
Ternura
E compreensão !
IX
O ódio
Que que hoje convive comigo,
E o repúdio
Por aquele que é inimigo
De si próprio,
Daquele que se envereda
Por caminhos tortos da vida,
Da marginalidade,
Da delinquência
E indecência !
X
Faço a prece
Todos os dias,
Pedindo misericórdias
A Providência,
Que mostre ao meu filho
O caminho da luz,
Da verdade,
Da justiça,
Da honra,
Da felicidade
E da salvação!
PV (CITY)- 03H35MINUTOS,4ª FEIRA, 16 DE JUNHO DE 2010.
MATTOS ( NDO )
terça-feira, 15 de junho de 2010
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
UM MANJACO, NA TERRA DO BRANCO
I
Deixando
Trepar as palmeiras,
Abandonando
A cultura das mancarras,
O rapaz manjaco,
Atravessou o Atlântico,
Vindo(indo)
Para as terras do branco,
À procura
De melhores condições
De vida
Para si e para as suas populações,
Que a terra
Natal privara,
Tanto em Bolama, como em Empada!
II
No entanto,
O percurso
Não tem sido
Fácil,
Mas sim, cada vez mais difícil
Desde que acabou o curso
Em 1985/86.
III
Educador,
Professor,
Lutador,
Agora só a dor
Constitui o factor
Fulcral desse emissor.
IV
A instabilidade
Profissional
É o primeiro sinal
Da sua identidade
Em cada altura,
Em cada terra,
Em cada espaço,
Em cada traço.
V
Longe da família,
O menino manjaco
Concilia
A tinta com o papel branco.
VI
O manjaco
Procura a inspiração
Na pintura,
Na poesia,
O que lhe dá uma enorme energia
Com muito afinco,
Uma grande alegria
E ternura.
VII
A saudade
Da minha Nactividade
É tão grande,
Que só me dá vontade
De abraçar a leviandade
E regressar à terra da minha mocidade,
A terra onde
Não gozei a minha juventude.
VIII
Sem
Poder ajudar a ninguém,
Debato-me
Dia
Após dia,
Com fome,
Com imensas dificuldades
E sem amizades
De ninguém
Aqui na Covilhã,
Porque, tudo me falha,
Esperando o dia vinte e três,
Quando chega a vez,
De poder sorrir
E fazer alguém sorrir!
Covilhã, 15 de Janeiro de 2009.
MATTOS ( NDO )
Deixando
Trepar as palmeiras,
Abandonando
A cultura das mancarras,
O rapaz manjaco,
Atravessou o Atlântico,
Vindo(indo)
Para as terras do branco,
À procura
De melhores condições
De vida
Para si e para as suas populações,
Que a terra
Natal privara,
Tanto em Bolama, como em Empada!
II
No entanto,
O percurso
Não tem sido
Fácil,
Mas sim, cada vez mais difícil
Desde que acabou o curso
Em 1985/86.
III
Educador,
Professor,
Lutador,
Agora só a dor
Constitui o factor
Fulcral desse emissor.
IV
A instabilidade
Profissional
É o primeiro sinal
Da sua identidade
Em cada altura,
Em cada terra,
Em cada espaço,
Em cada traço.
V
Longe da família,
O menino manjaco
Concilia
A tinta com o papel branco.
VI
O manjaco
Procura a inspiração
Na pintura,
Na poesia,
O que lhe dá uma enorme energia
Com muito afinco,
Uma grande alegria
E ternura.
VII
A saudade
Da minha Nactividade
É tão grande,
Que só me dá vontade
De abraçar a leviandade
E regressar à terra da minha mocidade,
A terra onde
Não gozei a minha juventude.
VIII
Sem
Poder ajudar a ninguém,
Debato-me
Dia
Após dia,
Com fome,
Com imensas dificuldades
E sem amizades
De ninguém
Aqui na Covilhã,
Porque, tudo me falha,
Esperando o dia vinte e três,
Quando chega a vez,
De poder sorrir
E fazer alguém sorrir!
Covilhã, 15 de Janeiro de 2009.
MATTOS ( NDO )
Etiquetas:
o manjaco - branco com afinco,
o seu grande marco
SUBSTITUI LIVROS POR DESENHOS
I
Nos tempos que correm,
Os pensadores estão cada vez
Mais apreensivos.
II
A apreensão deve-se
Ao desinteresse extremo
Dos cidadãos
Pelas letras.
Pelas palavras,
Pelas literaturas.
III
A indiferença
que noto nas pessoas
Em se afirmar,
Em se auto-didactar,
É constante,
É permanente.
IV
Ninguém quer folhear e ler
Com os olhos de ler
E com a alma o que está escrito no livro.
V
Tenho fé nas pessoas, nos homens !
A Natureza humana é naturalmente um enigma
E nada nos conduz ao pessimismo
Quanto ao dia de amanhã,
Mais radiante e mais risonho!
VI
E, eu, o autor deste registo,
Desta crónica,
Não fujo a regra.
Já não leio, não penso,
Não reflicto;
Ajo, desenho para chamar atenção às pessoas.
VII
O que valem os livros
Que eu tenho no meu escritório,
Se os meus filhos
Não os tocam,
Para não dizer,
Se não os lêem?
VIII
Vou desenhando,
Vou pintando,
Para afugentar as minhas preocupações,
Os meus pensamentos em divagações!
Nos tempos que correm,
Os pensadores estão cada vez
Mais apreensivos.
II
A apreensão deve-se
Ao desinteresse extremo
Dos cidadãos
Pelas letras.
Pelas palavras,
Pelas literaturas.
III
A indiferença
que noto nas pessoas
Em se afirmar,
Em se auto-didactar,
É constante,
É permanente.
IV
Ninguém quer folhear e ler
Com os olhos de ler
E com a alma o que está escrito no livro.
V
Tenho fé nas pessoas, nos homens !
A Natureza humana é naturalmente um enigma
E nada nos conduz ao pessimismo
Quanto ao dia de amanhã,
Mais radiante e mais risonho!
VI
E, eu, o autor deste registo,
Desta crónica,
Não fujo a regra.
Já não leio, não penso,
Não reflicto;
Ajo, desenho para chamar atenção às pessoas.
VII
O que valem os livros
Que eu tenho no meu escritório,
Se os meus filhos
Não os tocam,
Para não dizer,
Se não os lêem?
VIII
Vou desenhando,
Vou pintando,
Para afugentar as minhas preocupações,
Os meus pensamentos em divagações!
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o sonho risonho a caminho
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