segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

UM MANJACO, NA TERRA DO BRANCO

I
Deixando
Trepar as palmeiras,
Abandonando
A cultura das mancarras,
O rapaz manjaco,
Atravessou o Atlântico,
Vindo(indo)
Para as terras do branco,
À procura
De melhores condições
De vida
Para si e para as suas populações,
Que a terra
Natal privara,
Tanto em Bolama, como em Empada!
II
No entanto,
O percurso
Não tem sido
Fácil,
Mas sim, cada vez mais difícil
Desde que acabou o curso
Em 1985/86.
III
Educador,
Professor,
Lutador,
Agora só a dor
Constitui o factor
Fulcral desse emissor.
IV
A instabilidade
Profissional
É o primeiro sinal
Da sua identidade
Em cada altura,
Em cada terra,
Em cada espaço,
Em cada traço.
V
Longe da família,
O menino manjaco
Concilia
A tinta com o papel branco.
VI
O manjaco
Procura a inspiração
Na pintura,
Na poesia,
O que lhe dá uma enorme energia
Com muito afinco,
Uma grande alegria
E ternura.
VII
A saudade
Da minha Nactividade
É tão grande,
Que só me dá vontade
De abraçar a leviandade
E regressar à terra da minha mocidade,
A terra onde
Não gozei a minha juventude.
VIII
Sem
Poder ajudar a ninguém,
Debato-me
Dia
Após dia,
Com fome,
Com imensas dificuldades
E sem amizades
De ninguém
Aqui na Covilhã,
Porque, tudo me falha,
Esperando o dia vinte e três,
Quando chega a vez,
De poder sorrir
E fazer alguém sorrir!
Covilhã, 15 de Janeiro de 2009.
MATTOS ( NDO )

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