sexta-feira, 18 de abril de 2014

VALE A PENA ORAR?



        VALE
        A PENA
        ORAR?


I

Os esquimós
Longe de nós,
Nas florestas
Densas
De África,
No Terceiro Mundo,
Até hoje
Ainda
Desconhecem
As novas tecnologias,
As redes sociais que inundaram
O Primeiro Mundo,
A Civilização Ocidental.

II

Mas, mesmo
Assim, vivem
Felizes
E não sabem
O que significam
Crises;
Vivem
O seu dia
A dia
Em conformidade
Com o pacto estabelecido
Com a Mãe Natureza.

III

Se rezam
Ou não,
Isso não sei.
Só sei
Que acreditam Naquele
Que lhes dá chuvas abundantes,
E, consequentemente,
Colheitas abundantes e fartas,
Caças e pescas abundantes
Em cada época,
Em cada estação.
Cada um de nós,
Não só os esquimós ,
Os bosquímanos
Ou outros
Donos,
Os ocidentais,
Acredita nalguma coisa,
Em deuses
Ou forças da Natureza;
Orar ou não,
Eis a questão.
O importante
É que cada um
Acredite em si,
Que tenha auto - estima,
A fim de resolver cada problema
O que é preciso é que cada um
Siga o trilho
Da luz,
O caminho da verdade,
O caminho da justiça,
Aquele(aquela) que sabe rezar,
Que não reze apenas para si,
Mas sim para os outros
Que o rodeiam
E para toda a Humanidade inteira.

Hoje, doze do mês em curso, a minha mulher foi (para)à Fátima para rezar, para orar e espero que faça uma boa viagem em primeiro lugar  e, em segundo, que reze para si, para os nossos filhos ,e familiares e para todos.
Que peça a Deus a nossa libertação de toda a maldição que nos infernou há muito tempo. Aleluia, aleluia
Em cada dia!



AVENIDA ALMIRANTE REIS(SÁBADO-12H25 MINUTOS), 12 DE ABRIL DE 2014.

                        KANKAMBAL(NDO)


A MIRAGEM/ DO JOVEM/EM CADA VIAGEM/


I

A energia
Positiva,
O guia
De cada dia
Que eleva
Cada jovem
A uma paragem,
Em que à deriva
De uma forma excessiva.

II

Uma miragem
De cada pajem
No seu lugar
Sem
Escorregar
E prosseguir
Na senda
Do provir
na sua caminhada...


(Por concluir)


CATUJAL(SÁBADO- 13H40 MINUTOS), 12 DE ABRIL DE 2014.

 KANKAMBAL(NDO)

MAMÃ/ NHIMA /DE KANTOMÁ/





                                                  MAMÃ
                                                  NHIMA
                                                  DE KANTOMA

I

A aurora
Que raia,
Que brota
Na densa
Floresta
De Quinara,
Na mansa
E calma
Mata
De Kantomá,
Ouve-se uma voz
Rouca
E seca,
Tentando afugentar
Os pássaros
Nos arrozais
Daqueles
Felizes
Casais.


II

A mamã
Nhima
De Kantomá,
Era
A mamã
Ndocudjune,
Era
A mamã Timanane,
Era a mamã
Chacú,
Era a mamã
Babemecete,
Era
A mamã
Babepebul,
Era
A mamã
Inácia!


III

E ainda me lembro
Como gritávamos
Todos em coro
E com “lamparans”
As  minhas irmãs
E eu,
Aos “catchus”,
Pássaros
Que tentavam
Devastar  o lugar
De arroz,
 O lugar
De mancarra,
Que os “santchus”,
Macacos
Trituravam.

IV

Oh! Como me lembro!
Como ainda
Divaga na minha cabeça
A lembrança
De cada coisa
Que já passou
Há quase cinco décadas!


V

Dividíamos as tarefas,
Os meus irmãos
E eu:
Uns vigiavam
Os lugares
De arroz e de mancarra,
Outros,
Pastoreavam
O gado
Na floresta,
Na mata.






VI

Veio a guerra
Colonial
E tudo deixara
De ser trivial
Em Quinara!


VII

Os bombardeamentos
Dos jatos,
Arrastavam
A população
Inteira
De Quinara
Para “tarrafes”
Nas marés
Baixas
Ou cheias.

VIII

As crianças
Choravam
De fome,
Mas as mães
Receosas
De serem descobertas
Pelos jatos,
Ainda as batiam,
Ainda levavam
Estalos,
Bofetadas.

IX

Tempos
Difíceis de imaginar
E de descrever,
Passados
Mais de cinco
Décadas!





X

Ah! Nha
Nhanha,
Nha
Nhima,
Nha
Binta,
Eu, já adulto
Carregando na cabeça
Cabelos brancos,
Testemunhando uns poucos
Anos
De vivência
E de experiência
Bem distante
De Quinara,
Lembrando o que me faziam,
O que me davam,
Os carinhos
Que me banhavam!



CATUJAL- UNHOS( 4ª-FEIRA- 01H45 MINUTOS), 16 DE ABRIL DE 2014-04-18



    KANKAMBAL (NDO)



sábado, 5 de abril de 2014

quarta-feira, 2 de abril de 2014

JEJUM/DUM...



 JEJUM
DUM…


I

O mês de Quaresma,
É o mês
De jejum
Para uma,
Mas também para algu.

II

O fanataismo,
A religisosidade
Levado ao extremo
Da parte da minha senhora,
Que eu tanto amara,
É a minha privacidade
No que concerne
À carne,
À relação sexual,
Ao verdadeiro amor conjugal.

III

A minha mulher
Já não sabe
O que é o beijo,
Pelo menos,
Em relação a mim,
Como legítimo esposo.


IV

Ter relações sexuais
Com ela,
É uma raridade,
É preciso remover
O céu e a terra,
É preciso insistir, teimar,
Receber safanões, pontapés
Cotoveladas
E empurrões!



V

Por que estou a teimar
Numa coisa que não existe!?
Ela já não me ama!
Tudo isso, é por causa
Das duas crianças
Que nós adotámos..

Sobral de Monte Agraço (4ª-feira- 09h30), 02 de Março de 2014.

                                                         MATTOS (NDO)