sexta-feira, 18 de abril de 2014

MAMÃ/ NHIMA /DE KANTOMÁ/





                                                  MAMÃ
                                                  NHIMA
                                                  DE KANTOMA

I

A aurora
Que raia,
Que brota
Na densa
Floresta
De Quinara,
Na mansa
E calma
Mata
De Kantomá,
Ouve-se uma voz
Rouca
E seca,
Tentando afugentar
Os pássaros
Nos arrozais
Daqueles
Felizes
Casais.


II

A mamã
Nhima
De Kantomá,
Era
A mamã
Ndocudjune,
Era
A mamã Timanane,
Era a mamã
Chacú,
Era a mamã
Babemecete,
Era
A mamã
Babepebul,
Era
A mamã
Inácia!


III

E ainda me lembro
Como gritávamos
Todos em coro
E com “lamparans”
As  minhas irmãs
E eu,
Aos “catchus”,
Pássaros
Que tentavam
Devastar  o lugar
De arroz,
 O lugar
De mancarra,
Que os “santchus”,
Macacos
Trituravam.

IV

Oh! Como me lembro!
Como ainda
Divaga na minha cabeça
A lembrança
De cada coisa
Que já passou
Há quase cinco décadas!


V

Dividíamos as tarefas,
Os meus irmãos
E eu:
Uns vigiavam
Os lugares
De arroz e de mancarra,
Outros,
Pastoreavam
O gado
Na floresta,
Na mata.






VI

Veio a guerra
Colonial
E tudo deixara
De ser trivial
Em Quinara!


VII

Os bombardeamentos
Dos jatos,
Arrastavam
A população
Inteira
De Quinara
Para “tarrafes”
Nas marés
Baixas
Ou cheias.

VIII

As crianças
Choravam
De fome,
Mas as mães
Receosas
De serem descobertas
Pelos jatos,
Ainda as batiam,
Ainda levavam
Estalos,
Bofetadas.

IX

Tempos
Difíceis de imaginar
E de descrever,
Passados
Mais de cinco
Décadas!





X

Ah! Nha
Nhanha,
Nha
Nhima,
Nha
Binta,
Eu, já adulto
Carregando na cabeça
Cabelos brancos,
Testemunhando uns poucos
Anos
De vivência
E de experiência
Bem distante
De Quinara,
Lembrando o que me faziam,
O que me davam,
Os carinhos
Que me banhavam!



CATUJAL- UNHOS( 4ª-FEIRA- 01H45 MINUTOS), 16 DE ABRIL DE 2014-04-18



    KANKAMBAL (NDO)



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