domingo, 25 de setembro de 2011

DE QUELUZ/, EIS O AVESTRUZ/ EM ODIVELAS

I

O saltibanco,
O nómada,
Não tem
Banco,
Nem
Lugar certo;
Salta
De um lado
Par o outro
Quando
Acaba o que lhe alimenta;
Só tem
A estrada,
O seu metro,
Dentro.

II

O contratado,
Não pertence
Ao Estado,
Nem
A ninguém;
Aparece
E desaparece
Consoante
A necessidade
Da sociedade,
Em cada instante.

III

Depende
De todos,
Porque todos
O querem
Quando
Necessitarem
Dele;
É chamado
Para qualquer lide
E é o que lhe vale
Para a própria
Existência,
Para a própria
Sobrevivência.

IV

Sobrevive
Mediante,
Consoante
As necessidades
Dos outros ;
Vai para onde
O pedirem,
Para onde
O chamarem.

V

Não tem
Lugar.
Vai e vem,
Para não minguar,
Para não mendigar.

VI

Vem de Queluz,
Porque de lá
Já não produz
Nenhuma vela.

VII

Agora
É Odivelas,
Num Agrupamento de Escolas
Que lhe pode dar algum alimento
Para o sustento
Da sua família,
E o alivia
Do sofrimento,
Do padecimento.

VIII

O meu dever
É ensinar
E aprender;
E, assim,
Estar
Sempre a ganhar
Até ao fim!

IX

Com sono,
Estou feliz,
Porque nasceu um menino
Aqui neste país.

X
Nasceu o menino,
Embora africano,
Também é europeu,
Onde a avó
Viveu
E ainda sobrevive.

ODIVELAS,( 4ª FEIRA, 13H18 MINUTOS),21 DE SETEMBRO DE 2011.

MATTOS (NDO )

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