I
É este o caminho
Que o menino
Ndo
Tinha planeado?
Era esse o meu grande sonho
Desde a minha infância?
Estar nesta inércia,
Quase à beira do abismo
E sem poder ajudar o próximo?!
II
Mattos,
Não era esse o caminho,
O sonho
Que conduziu o teu filho
à estas paragens!
Para isso, era preferível
Regressar ao meu país natal,
Seguir outro trilho,
Noutras viagens
Diferentes
Ou permanecer no quintal
Onde cada manhã,
Ia buscar umas mandiocas
Para matar o bicho
Em companhia dos meus irmãos!
III
Bolama
Chama
E a minha alma
Nao acata o chamamento
Daquele que permitiu o meu nascimento,
À minha vinda
À esta vida,
A este mundo
Que actualmente me está consumindo
Aos poucos
Longe doutros manjacos!
IV
o que me resta
Nesta terra
Madrasta,
Que rejeita,
Que me repele para a valeta,
Que não me respeita,
Mesmo para aquilo de se alimenta?
V
O desemprego
Bateu-me a porta,
Linge do desafogo
Daqueles que o destino
Reservou o modo digno,
Daqueles que a Providência
Traçou uma essência
Sublime
Do seu próprio nome:
O ser humano
No seu trono
Condigno!
V
Hoje,
Longe
Como um monge
Dos seus semelhantes,
Estou prestes
A partir
Sem, no entanto, nada reunir
Para aqueles que eu fiz vir
A este mundo
Actualmente conturbado!
VI
Hoje,
O que me atinge,
Aos meus filhos
Também os atinge,
Devido os meus falhos!
VII
Hoje,
Dependo dos outros
E vou aos seus encontros
Para me ajudarem,
Para me auxiliarem,
Pedindo-lhes dinheiro
a fim de diminuirem
O que eu sofro
No meu dia
a dia!
VIII
Eu, filho
De kantoma,
Filho
De Bolama,
Filho
De Quínara,
Produto
Da licenciatura
Em Évora,
Sou a vergonha,
Não sou digno
De ser filho
De Nha
Nhanha,
Menino
De Timanane,
Neto
De Docudjune!
PRIOR VELHO(6ª- 11H35m), 16 DE SETEMBRO DE 2011.
MATTOS (NDO)
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