quarta-feira, 17 de outubro de 2012

CUTUM MADINA

I A cada esquina No bairro Cutim Madina, Deparo-me com um buraco, Há sempre um espaço oco, Onde,arduamente, Labutam os homens, mesmo sem horizonte. II No rosto das pessoas, Nada nos transparece risonho! Tudo é tristonho! Já não há mais gamboas, Porque o estado está morto E o povo está faminto! III As greves sindicais, Assolam todo o país. Tudo está paralisado, Porque nada está defindo. Os grandes estão indeferentes Às tantas Mortes, ÀS tantas Calamidades dos inocentes!!! IV Os ministros, São os maestros; Os secretários, São os larápios; Os directores , São os abutres.! V Aqui,tudo está quase podre! Acomoda-se com o compadre, Porque a própria mulher é comadre! Porque num estado de putrefacção, É inevitável a corrupção! VI O taxista, O "candongista", O carteirista, O "toca-toca" ou legalista Motorista, O pedreiro, Ou o carpinteiro, Todos estão contentes, Porque não há controlo nas fontes E os outros, estão triste!!! VII Não Têm pão, Porque não Lhes dão O que realmente Têm, Porque à custa deles, divertem Como os nobres da Idade Média, Que não Se preocupavam com o seu dia-dia. VIII Têm Bons carros, Têm Boas Casas, E bonitas Mulheres; Não Sabem Se os produtos são Caros; Têm Fartas Mesas E têm Esperanças, Porque pensam ser donos e gestores Desta Nossa Querida terra Até à sepultura!!! IX Aí minha Guiné! Continuas a ser néné! Com a tua fama, Retribuis djarama Aos que sempre te lembram E sempre te ajudam Acompanham E moram!!! X Em nome da estabilidade, Enterraste O peso; Em nome da prosperidade, Puseste Em circulação o franco forte e coeso, Que substitui os habituais milhões, Que apenas alimentavam ilusões!!! XI Percorri Ruas E ruas, Mas nada Vi E nada Encontrei; Apenas Misérias, Pelo que, copiosamente, Chorei! Chorei Devido a indeferença De tanta Pobreza, Na ignota Massa! Chorei Pelos ventres famintos, Chorei Pelos desempregados, inválidos Hirtos; Chorei pelos doentes, Pelos inocentes Com tantos Vómitos!!! ( POESIA POR CONCLUIR) CUTUM MADINA (6ª FEIRA), EM BISSAU, 22 DE AGOSTO DE 1997. MATTOS (NDO)

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