terça-feira, 23 de outubro de 2012

OUTRORA /PRISIONEIRO/DA BARRACA/, AGORA/, PRISIONEIRO/ DA COMARCA/!/

OUTRORA PRISIONEIRO… I Há tempos Já remotos, Nos campos Vastos, Entre o pasto E o repasto, Um jovem Homem Entre a ignorância E a inocência Da infância, Acreditava-se na bondade, Longe de pensar na maldade, Melhor dito, Nem sequer pensar no que esta palavra significaria, Pois, só se pensava na alegria De cada dia. II Hoje, Bem longe Desse espaço Bem distante, Que era muito radiante, Tornou-se murcho, Quase coxo E sem tacho Para o seu ninho Quase definho. III Ó destino Tão maligno Deste menino Africano ! Por que o leva para o pântano Sem, pelo menos um aceno?! IV Na Europa, Não foi a tropa, Mas trepa Cada rampa Como quem tem uma sopa Apenas por uma lupa! V Sento-me e escrevo O que o que eu acho que devo Fazer, O que devo Escrever Com prazer Para cada ser, A fim de me conhecer Enquanto viver. VI Outrora, Fui prisioneiro Da barraca; Agora, Sou prisioneiro Da Comarca, Pois, desempregado, Sou obrigado A apresentar-me semanalmente Na Junta de Freguesia Da minha área de residência, Senão sou sujeito a perder o subsídio Dado pela Segurança Social. VII Na barraca Onde vivi durante mais de duas décadas, Não podia ausentar-me dela, Senão estava sujeito a perder o PER! VIII E foi o que me aconteceu! A minha barraca foi demolida sem mais nem menos, Alegando a Câmara de Loures que eu tinha ausentado E tinha comprado Uma casa em Mercês. IX Hoje, Vivo Como um polvo Agarrado as várias redes, Sem quatro paredes Próprias, Vivendo em senhorias E sem meios Para cumprir os meus compromissos Como homem, como marido e como pai! X Vivo no silêncio, Na solidão, No meio De tanta multidão! XI A única maneira De sobrevivência Dessa criatura De Quínara, É a palavra, É a escrita, Algo que o livra E o evita Da asneira Na vida, Porque ama muito Os seus filhos! PV CITY (3ª-FEIRA- 22H35), 23 DE OUTUBRO DE 2012. MATTOS (NDO)

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