I
Àqueles que o destino
Negou o sossego,
Negou o aconchego,
Negou o sono,
Não têm outra
Coisa
Senão a desenvoltura,
Não têm outra
Alternativa,
Senão a fé,
A saúde
E Com a cabeça
Erguida e firme,
Coragem e sem vexame.
II
Não à moda avestruz,
Enterrar a cabeça
Na areia
Para não assistir a hecatombe!
Vestidos ou nus,
Todos têm a esperança
E vivem com a alegria
O mundo que os circunscreve.
III
Nos seus rostos
Preenchidos
De mágoas
E aflições,
Mas animados
Pela saúde
Que os prende
Aos encantos
Desta vida maravilhosa,
Desta vida fabulosa,
Desta vida bela,
Ainda que, vivendo-a duma forma singela.
IV
Continuam sonhando
Como os lírios
Do Campo
Como os seus projectos,
Os seus reais intentos
E nada os faz
Curvar
Perante as dificuldades
Na guerra ou na paz!
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