domingo, 9 de junho de 2013

ARESTA/ QUE ME RESTA/


I

"Chutado "
Pela mulher,
Pela família,
Pela vida
Em Lisboa,
Em Bissau,
Em Bolama,
Vim parar nesta
Cidade
Tão recôndita
De Freamunde,
No Norte de Portugal,
Vivendo quase como um marginal.

II

Trabalho como um burro,
Como um escravo,
Como um preto,
Que, por coincidência
Sou,
Mas nada tenho.

III

Chego
Ao final do mês,
Recebo,
Mas fico sem dinheiro,
Fico sem um cêntimo
Com nada fico,
Nem para mim,
Nem para o meu querido filho!

IV

Eu não não quero
Ser
Uma compaixão,
Mas uma paixão
Como uma brasa
Que nunca apaga,
Senão por uma grande praga.
Eu não quero
Ser
Um zé ninguém,
Mas simplesmente um homem
Com carácter.

V

Hoje,
Longe
Do tempo
Longínquo,
Sou um indívíduo
De corpo
Frouxo
Como um lixo
E de mente
Débil e decadente.

VI
Tirou-me as filhas
Ou pretende tirar-me as filhas,
Pois, manda-as para uma amiga
Nos fins-de-semana,
Para poder
Ter
Tempo
Para as suas constantes
E frequentes
Festas.


VII

Foi o que aconteceu
Este fim-de-semana,
Com mais um "cabaz"
Um "sara"
Da Nixinha
Em Bacarena/ Massamá.
Mais um pretexto
Para mais uma festa.

V III

Hoje,
Com o ultraje
Da minha esposa,
Toda a gente me despreza,
Toda a gente me pisa
E me vê como uma trouxa,
Que não deve entrar em nenhuma faixa.

IX

O gozo,
O menosprezo
É tanto,
Que já não me sinto
Como um ser humano
Digno
Deste "terreno".

FREAMUNDE(PAÇOS DE FERREIRA-DO-13H45M ), 09/06/2013.

                                            KANKAMBAL (NDO)

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