segunda-feira, 10 de agosto de 2026

 FILHO DO AGRICULTOR,

CRIADO EM BANDJUMPÔR,

EM UTHIACOR...


        I


"Cada palavra soa,

Entoa

A melodia

Em cada poesia,

Que a língua

Pronúncia

Sem mágoa 

Em cada dia

Vinda do que a boca

Evoca"

                         kKNDO 


Eu, Fernando Matos Ferreira, nascido a 08 de outubro de 1956, em Bolama, sul da Guiné -Bissau ( Bolama, era a designação genérica da região sul pelos conterrâneos da terra originária dos meus antepassados), antiga capital do país. 

De tenra idade, com a eclosão da guerra colonial ( guerra da libertação nacional), em 1963, fui levado por um tio materno para uma terra, também no sul, chamada Empada. 

Ali, permaneci alguns escassos anos, a situação descambou e, o meu avô materno chamado Domingos Kathothiiul, pai do tio materno que atrás fiz referência, decidiu retirar a família em que eu já fazia parte e partisse para o Norte do país para uma terra chamada Pelundo( terra natal dos meus ancestrais). 

Ali, permaneci poucos meses na casa do meu avô materno, quando, na mesma localidade, também vivia um tio paterno tomou conhecimento da estada/chegada de um dos seus sobrinhos, reivindicou o seu jus/ direito de me levar para a sua casa e viver na sua família, e o meu avô paterno não pôde reverter a situação, pois, segundo a tradição manjaca( a minha etnia), a linha masculina é que tinha mais direito e prevalecia segundo o direito consuetudinário.

Mais uma vez, a lenga-lenga, sol de pouca dura do miúdo Fernando nas mãos e decisões dos graúdos, para o seu bem, claro. Pelundo estava sob ferro e fogo, com ataque/ mobilização intensa e massiva por parte dos antigos combatentes da Pátria, a que os colonialistas portugueses designavam pejorativamente de "terroristas". Mobilização de jovens para participarem na frente norte da luta de libertação nacional nas várias frentes criadas ( sul, leste e norte) pelo P.A.I.G.C( Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, o único ou principal movimento de libertação nacional que desencadeou a luta armada em 1963( em Tite).

Mais uma vez, os ponteiros da Providência no caminho certo, na direção certa com o intuito de resgatar e salvar o menino "Kankambal"(NDO)! 

Certo dia, o régulo ( chefe dos chefes) do "Chão Manjaco", Babok( ex -Teixeira Pinto), atual Canchungo, a Excelência Sr. Joaquim Baticã Ferreira, que, infelizmente, foi barbaramente assassinado, fuzilado na praça pública na presença dos seus filhos, mulheres, a comunidade do Chão Manjaco e eu, pelas mãos abomináveis e vis dos dirigentes do governo do partido único PAIGC!

Dizia eu, o senhor Joaquim Baticã Ferreira sai de CANCHUNGO e vai a Pelundo realizar uma cerimónia habitual à memória dos seus ancestrais, como também a Basserel e nesse dia, decide depois de auscultar a preocupação do meu tio no que concerne ao recrudescimento da guerra colonial em Pelundo, levar -me mais a minha prima, filha do meu tio para CANCHUNGO, concretamente em UTHIACOR, onde existe um sítio sagrado do descanso, o paraíso dos príncipes, BANDJUMPÔR...

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