FILHO DO AGRICULTOR,
CRIADO EM BANDJUMPÔR,
EM UTHISCOR...
I
"Cada palavra soa,
Entoa
A melodia
Em cada poesia,
Que a língua
Pronúncia
Sem mágoa
Em cada dia
Vinda do que a boca
Evoca"
kKNDO
Eu, Fernando Matos Ferreira, nascido a 08 de outubro de 1956, em Bolama, sul da Guiné -Bissau ( Bolama, era a designação genérica da região sul pelos conterrâneos da terra originária dos meus antepassados), antiga capital do país.
De tenra idade, com a eclosão da guerra colonial ( guerra da libertação nacional), em 1963, fui levado por um tio materno para uma terra, também no sul, chamada Empada. Ali, permaneci alguns escassos anos, a situação descambou e, o meu avô materno chamado Domingos Kathothiiul, pai do tio materno que atrás fiz referência, decidiu retirar a família em que eu já fazia parte e partisse para o Norte do país para uma terra chamada Pelundo( terra natal dos meus ancestrais). Ali, permaneci poucos meses na casa do meu avô materno, quando, na mesma localidade, também vivia um tio paterno tomou conhecimento da estada/chegada de um dos seus sobrinhos, reivindicou o seu jus/ direito de me levar para a sua casa e viver na sua família, e o meu avô paterno não pôde reverter a situação, pois, segundo a tradição manjaca( a minha etnia), a linha masculina é que tinha mais direito e prevalecia segundo o direito consuetudinário.
Mais uma vez, a lenga-lenga, sol de pouca dura do miúdo Fernando nas mãos e decisões dos graúdos, para o seu bem, claro. Pelundo estava sob ferro e fogo, com ataque/ mobilização intensa e massiva por parte dos antigos combatentes da Pátria, a que os colonialistas portugueses designavam pejorativamente de "terroristas". Mobilização de jovens para participarem na frente norte da luta de libertação nacional nas várias frentes criadas ( sul, leste e norte) pelo P.A.I.G.C( Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, o único ou principal movimento de libertação nacional que desencadeou a luta armada em 1963( em Tite).
Mais uma vez, os ponteiros da Providência no caminho certo, na direção certa com o intuito de resgatar e salvar o menino "Kankambal"(NDO)!
Certo dia, o régulo ( chefe dos chefes) do "Chão Manjaco", Babok( ex -Teixeira Pinto), atual Canchungo, a Excelência Sr. Joaquim Baticã Ferreira,
Foi a Pelundo, ( terra dos seus ancestrais) realizar cerimónia, como também faz com Basserel, e no fim da mesma na sequência da conversa tida com o meu tio Djombique Camputh, sobre a insirgengencia dos elementos do PAIGC na zona, aliciando os jovens para aderiram à causa da luta de libertação nacional contra o colonialista português, levou-me juntamente com a minha prima Cecile para Banjumpôr, em Uthiacor, na ex-cidade Teixeira Pinto, atual Canchungo.
O senhor Joaquim Baticã Ferreira, infelizmente, já não se encontra entre nós no mundo dos vivos, pois, foi barbaramente assassinado, fuzilado na praça pública na presença dos seus filhos, mulheres, a comunidade do Chão Manjaco, estando eu também presente pelas mãos sangrentas, abomináveis e vis dos dirigentes do governo do partido único PAIGC!
Ali permaneci com a minha prima e que mais tarde f.oi para o Senegal para o casamento que já estava previamente combinado.
Matriculei-me na primeira classe na Escola Primária de Uthiacor pela primeira vez( pois, em Pelundo, apenas alguns meses, primeiro semestre. No final do ano letivo, transitei-me para a segunda classe como um dos melhores alunos da classe nessa escola.
No ano seguinte, na segunda classe, o meu professor e o concelho da escola, verificando as capacidades excecionais, decidiram que eu estudasse duas classes simultaneamente( segunda e terceira classes), obviamente, com o assentimento ou consentimento das entidades superiores ao nível da educação do Concelho de Canchungo. No final do ano letivo, fui submetido a dois exames das classes acima/ atrás citadas.
Realizei satisfatoriamente os dois exames acima da média e transitei para a classe.
No ano seguinte, deixei de estudar na Escola Primária de Uthiacor e fui transferido para a Escola Primária Católica dentro da cidade, pois, em Uthiacor é apenas até terceira classe. O diretor da Escola Primária Católica em Canchungo e simultaneamente, o excelentíssimo senhor professor Antero Sampaio da Cruz. Continuei a revelar-me, graças a Deus um excelente aluno na classe e na turma, pelo que o professor convidou/escolheu-me como o seu assistente/ajudante na Escola Primária de Central onde ele lecionava a quarta classe( sem remuneração, apenas para o auxiliar com os alunos e ele eu era capaz de lecionar os alunos da quarta classe).

Sem comentários:
Enviar um comentário