domingo, 29 de maio de 2022

 OBRIGADA A PARTIR


PARA ALGUÉM SERVIR


I


Com os meus próprios olhos,

Vi os meus próprios filhos 

A partirem bem longe!

Hoje,

Vejo 

De novo 

Alguém

De que sou o homem

A partir

Para poder

Servir

Um outro ser

Que quer 

Viver.


II


Sem vacilar,

Sem hesitar,

Porque a situação exigiu

Que partisse

A fim de atenuar

A crise

Que está dando 

Cabo da relação conjugal,

Familiar,

Que está destruindo

Cada lar

Em qualquer lugar,

Sobretudo

Aqui em Portugal.


III


O amor,

Estando 

Prestes a desmoronar,

É preferível,

É bom que alguém comece a abandonar

O palanque,

Que arranque

 E tome a iniciativa,

Porque só assim alguém se salva;

Sair,

Partir

E ir

Para outro sítio,

Para outra localidade

A fim de encontrar 

Alternativa,

Algum benefício;

Abandonar 

A cidade

Que apenas lhe traz

A dor,

 O silêncio,

A fim de conseguir

A possível

Paz 

E tranquilidade

Da família

Que já não vivia

Na alegria e na folia.


IV


Eu escrevo

O que o (meu) coração 

Manda,

O que a razão 

Recomenda, 

Ou, seja, atrevo

A registar as banalidades 

Que muitas das vezes

Não correspondem 

As verdades,

Não correspondem

As realidades

Que acontecem

No dia

A dia,

Ou são reveses

Da minha paródia;

Ou, são as minhas quimeras

Nas terras 

Estrangeiras,

Nesta vida

Sonhada,

Almejada

E tem de ser vivida.


V


Desse ensejo,

Desejo

Que a sua aventura

Pura,

Corresponda

Os nossos anseios,

As nossas profundas aspirações,

A fim de educarmos 

Convenientemente

Àquelas que, de nós, ainda

Dependem.


VI


As responsabilidades

Que nos incumbem

Superam as saudades,

Para o bem

Das inocentes crianças

Que em nós, depositam esperanças.


VII


A emigração,

Que despedaça

A força

Da união

E da paixão,

Que desenraíza

A família em desgraça,

Da pobreza

Envergonhada

De cada 

Cônjuge 

Que parte 

Para longe

E sente

A saudade 

Daquele (daquela) que faz parte

Da sua unidade,

Do seu espírito,

Do seu todo

Em qualquer lado

E em qualquer momento.


VIII


Eis o que o destino

Pinta

Para este menino

Que canta

Por intermédio da escrita;

Relata

O seu quotidiano,

A sua desdita

Nas terras europeias

Onde, só encontra teias.


IX


Contudo,

Nesta 

Senda,

“Ndo”

Se vai caminhando,

Otimista,

Com fé

E não arreda 

O pé,

Por mais que as vicissitudes

E as dificuldades 

O amedrontem

E atormentem.


             X


Para tudo o que se almeja,

Apenas peço que haja

A saúde,

Para a felicidade

Que se pretende.


CATUJAL (4ª-FEIRA, 22H23MINUTOS), 28 DE MAIO DE 2014-05-29


                             KAMBAL MATTOS (NDO)

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