OBRIGADA A PARTIR
PARA ALGUÉM SERVIR
I
Com os meus próprios olhos,
Vi os meus próprios filhos
A partirem bem longe!
Hoje,
Vejo
De novo
Alguém
De que sou o homem
A partir
Para poder
Servir
Um outro ser
Que quer
Viver.
II
Sem vacilar,
Sem hesitar,
Porque a situação exigiu
Que partisse
A fim de atenuar
A crise
Que está dando
Cabo da relação conjugal,
Familiar,
Que está destruindo
Cada lar
Em qualquer lugar,
Sobretudo
Aqui em Portugal.
III
O amor,
Estando
Prestes a desmoronar,
É preferível,
É bom que alguém comece a abandonar
O palanque,
Que arranque
E tome a iniciativa,
Porque só assim alguém se salva;
Sair,
Partir
E ir
Para outro sítio,
Para outra localidade
A fim de encontrar
Alternativa,
Algum benefício;
Abandonar
A cidade
Que apenas lhe traz
A dor,
O silêncio,
A fim de conseguir
A possível
Paz
E tranquilidade
Da família
Que já não vivia
Na alegria e na folia.
IV
Eu escrevo
O que o (meu) coração
Manda,
O que a razão
Recomenda,
Ou, seja, atrevo
A registar as banalidades
Que muitas das vezes
Não correspondem
As verdades,
Não correspondem
As realidades
Que acontecem
No dia
A dia,
Ou são reveses
Da minha paródia;
Ou, são as minhas quimeras
Nas terras
Estrangeiras,
Nesta vida
Sonhada,
Almejada
E tem de ser vivida.
V
Desse ensejo,
Desejo
Que a sua aventura
Pura,
Corresponda
Os nossos anseios,
As nossas profundas aspirações,
A fim de educarmos
Convenientemente
Àquelas que, de nós, ainda
Dependem.
VI
As responsabilidades
Que nos incumbem
Superam as saudades,
Para o bem
Das inocentes crianças
Que em nós, depositam esperanças.
VII
A emigração,
Que despedaça
A força
Da união
E da paixão,
Que desenraíza
A família em desgraça,
Da pobreza
Envergonhada
De cada
Cônjuge
Que parte
Para longe
E sente
A saudade
Daquele (daquela) que faz parte
Da sua unidade,
Do seu espírito,
Do seu todo
Em qualquer lado
E em qualquer momento.
VIII
Eis o que o destino
Pinta
Para este menino
Que canta
Por intermédio da escrita;
Relata
O seu quotidiano,
A sua desdita
Nas terras europeias
Onde, só encontra teias.
IX
Contudo,
Nesta
Senda,
“Ndo”
Se vai caminhando,
Otimista,
Com fé
E não arreda
O pé,
Por mais que as vicissitudes
E as dificuldades
O amedrontem
E atormentem.
X
Para tudo o que se almeja,
Apenas peço que haja
A saúde,
Para a felicidade
Que se pretende.
CATUJAL (4ª-FEIRA, 22H23MINUTOS), 28 DE MAIO DE 2014-05-29
KAMBAL MATTOS (NDO)

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