AS MINHAS FÉMEAS
GÉMEAS
DESFILAM,
E PULULAM…
I
Elas,
Belas,
Singelas,
Esbeltas,
Bonitas,
Desfilam
E pululam
Por todo
Lado,
Em todo
Mundo.
II
Traduzem,
Transmitem,
Conduzem
O cunho,
O sonho
E a alma
Do filho
De Bolama
Sem brilho
Em debandada
Nesta banda.
III
As minhas
Gémeas
Fêmeas,
Constituem o símbolo,
O estímulo
Daquele que pretendia
Escalar montanhas
Em cada dia,
Para o bem-estar da sua comunidade
E para toda a Humanidade.
III
O autor
Das fêmeas
Gémeas,
O seu condutor,
Se sente
Impotente
Perante
O presente,
Em virtude
Da precaridade
Da sua empregabilidade
Em transformar o seu sonho
Em realidade,
E, assim, contemplar o mundo risonho!
IV
A terra
Que o viu nascer,
E crescer,
Quinara,
Terá
O prazer
De um dia,
O receber
Com alegria
E fazer
Dela desenvolver?!
V
Naquela
Palhota,
Lá
Naquela
Lala,
O “kota”
Fará
Mattos
Na sua labuta
Diária,
Produzia
Mancarra,
Milho,
Mandioca, arroz e feijão,
Para que cada filho,
Nem
Ninguém,
Morra
De fome,
Perpetuando, assim, o seu nome
Para a geração
Vindoura.
VII
A sua azáfama
Em Nova Sintra,
Em Bolama,
Djeu de Cobra,
O “kota” fará
Mattos,
Apenas pretendia,
Em cada dia,
A garantia
De repastos,
Alimentos
Para toda a família
E, muitas das vezes, para toda a aldeia..
VIII
A guerra
Colonial
Foi fatal,
Foi grande trama
E trauma
Para o “kota” Fará,
Pois, foi vítima
Dos dois lados do conflito:
- Do poder colonial
Local,
- E do lado dos Combatentes da Libertação Nacional.
IX
Perdeu tudo,
De tudo
Que tinha conseguido
Com muito suor
E labor!
X
Fará
Conheceu
E viveu
A tortura
Da PIDE
Em Tite;
Viveu
O esquecimento
E a ingratidão
Do P.A.I.G.C.
Até
A sua morte!
XI
Quero que esta poesia
Perpetue a sua memória,
A sua consciência
Como lavrador (agricultor)
E como lutador !!!
FLAMENGA(5ª feira- 08h40), 14 de Maio de 2015.
Kamball (NDO)

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