sábado, 14 de maio de 2022

 AS MINHAS FÉMEAS

GÉMEAS

DESFILAM,

E PULULAM…


I


Elas,

Belas,

Singelas,

Esbeltas,

Bonitas,

Desfilam

E pululam

Por todo

Lado,

Em todo

Mundo.


II


Traduzem,

Transmitem,

Conduzem

O cunho,

O sonho

E a alma

Do filho 

De Bolama

Sem brilho

Em debandada

Nesta banda.


III


As minhas

Gémeas

Fêmeas,

Constituem o símbolo,

O estímulo 

Daquele que pretendia

Escalar montanhas

Em cada dia,

Para o bem-estar da sua comunidade

E para toda a Humanidade.


III


O autor

Das fêmeas 

Gémeas,

O seu condutor,

Se sente

Impotente

Perante

O presente,

Em virtude

Da precaridade

Da sua empregabilidade

Em transformar o seu sonho

Em realidade,

E, assim, contemplar o mundo risonho!


IV

A terra

Que o viu nascer,

E crescer,

Quinara,

Terá

O prazer

De um dia,

O receber

Com alegria

E fazer 

Dela desenvolver?!


V


Naquela

Palhota,

Naquela

Lala,

O “kota”

Fará 

Mattos

Na sua labuta

Diária,

Produzia

Mancarra,

Milho,

Mandioca, arroz e feijão,

Para que cada filho,

Nem 

Ninguém,

Morra

De fome,

Perpetuando, assim, o seu nome

Para a geração

Vindoura.


VII


A sua  azáfama

Em Nova Sintra,

Em Bolama,

Djeu de Cobra,

O “kota” fará

Mattos,

Apenas pretendia,

Em cada dia,

A garantia

De repastos,

Alimentos 

Para toda a família

E, muitas das vezes, para toda a aldeia..


VIII


A guerra

Colonial

Foi fatal,

Foi grande trama 

E trauma

Para o “kota” Fará,

Pois, foi vítima

Dos dois lados do conflito:

- Do poder colonial

Local,

- E do lado dos Combatentes da Libertação Nacional.


IX


Perdeu tudo,

De tudo

Que tinha conseguido

Com muito suor

E labor!


X


Fará

Conheceu

E viveu

A tortura

Da PIDE

Em Tite;

Viveu

O esquecimento

E a ingratidão

Do P.A.I.G.C.

Até 

A sua morte!


XI


Quero que  esta poesia

Perpetue a sua memória,

A sua consciência

Como lavrador (agricultor)

E como lutador !!!


FLAMENGA(5ª feira- 08h40), 14 de Maio de 2015.


                                                                Kamball (NDO)

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