"CABALA"
NAQUELA
"LALA",
QUE NOS CALA...!
I
Como
Calar-me
Vendo o fumo
Do lume,
Vindo
Do cimo,
Sinal
De algum mal
Que eu chamo
De uma "cabala"
Dos que nos querem
Calar,
Amedrontar
Com armas,
Difundindo
As chamas
Por todo
O lado,
Prendem
Sem motivos aparentes,
Espalham o medo,
O terror
Ao redor
Aos próprios parentes,
Porque pretendem
Ser os únicos
Senhores,
Os verídicos
Os ditadores
Da nação,
Da região...?!!!
II
As vezes,
Perante as várias
Crises
Sucessivas,
Sem tréguas,
Contínuas,
Sinto vontade
De estar calado,
Ficar no meu canto,
No meu mundo,
Não me envolver
Em politiquices
Guineenses,
Mas, a sede
É tanta, que acabo
Por me intrometer
Naquilo que nada percebo,
Porque o sofrimento
É tanto
Que não me deixa indiferente,
Porque a mente
Se sente
Muito triste
Perante
Tanto espetáculo,
Para não dizer,
Escândalo.
III
Obrigar o povo
De novo,
A ir às eleições,
Em condições?
Para mudar o quê
Em concreto?!
Porquê?
Que dividendos
Que benefícios
Para o povo
Miúdo,
Senão para o graúdo,
Alimentar
Os seus vícios,
Aumentar
E acumular
Os seus morgadios?
Os sacrifícios
Batem cada vez mais
As portas
Dos infortunados
Sem saúde,
Sem educação,
Sem habitação,
Sem luz elétrica,
Sem água canalizada,
Sem mínimas condições
De dignidade humana!
IV
Sem escrever,
E abraçar o anonimato
Perante o que vigora
Na minha terra
Há muitas décadas!
É quase que abraçar
O suicídio
Pessoal
E coletivo
Do meu povo,
Sem um único
Cêntimo diário
Para a própria
Sobrevivência!
V
Aqui,
Nestas linhas
Tortas,
Não pretendo
Dar
Lições,
Tirar
Ilações,
Mas apenas indagar,
As razões
Profundas
Que dispensaram
Diálogos,
Consensos
Entre amigos,
Irmãos
Ali,
E que culminou
Na dissolução
Da Assembleia
Nacional,
E, consequentemente,
A queda do governo
Saido das eleições
De junho último
E em funções,
Em menos de quatro meses!
VI
Ambição
De poder
E mais poder,
Levam os homens
A zaragata,
A luta
Desenfreada
Para alimentar
Os seus ínfimos,
Íntimos,
A defender
Os seus umbigos,
A defender
Os seus amigos,
Não importando
Com a Constituição,
Ignorando
Os interesses
Da Nação,
Dos irmãos guineenses!
Cegos,
Mudos
E surdos
Perante
Os ecos
Da mudança,
Os ventos
Alísios
Que sopram
Do Continente,
Para o bem-estar,
Progresso
Do Povo,
Eis que a Guiné-Bissau
Se mergulhou,
Se enterrou
De novo
No abismo,
No marasmo!!!
VII
Até quando,
As aspirações
Das populações?!
Ai
"Desan"!
Ai,
Aí
Nha armon!
N, na pidi son
Deus, pa i librau
Di guerra
Na nô terra,
Suma kil de Bissau
De 7 de junho de 1998,
Guerra de "Bissauzinho"!!!
VIII
Vou escrever,
Pois, é a única
Coisa
Que agora
Sei fazer,
Melhor
Dito,
O que mal
Sei fazer,
Um sinal
De quem
Quer
Liberdade,
Dignidade,
Justiça
Que muitos temem
Como o fim
Dos seus apanágios,
Dos seus privilégios,
Sobretudo
Naquela terra
Do Serafim,
Geringonça
Que peca
Pela crueldade,
Pela ditadura,
Que causa
O sofrimento
Infinito
Ao redor
Da gente
Inocente...!
Por causa
Do partido,
Por causa
Do chefe do partido,
Não renuncie
A família,
Não deixe
Cair a alegria
Que dantes nela existia...!!!
Bem haja
A todos,
Pela Guiné-bissau!
Uma santa
Sexta-feira!
(Continua)
BRANDOA (sexta-feira, 04:12), 08 de dezembro de 2023.
KK-NDO

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