quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

 "CABALA"

NAQUELA

"LALA",

QUE NOS CALA...!


I


Como

Calar-me

Vendo o fumo 

Do lume,

Vindo

Do cimo,

Sinal

De algum mal

Que eu chamo

De uma "cabala"

Dos que nos querem

Calar,

Amedrontar

Com armas,

Difundindo

As chamas

Por todo

O lado,

Prendem

Sem motivos aparentes,

Espalham o medo,

O terror

Ao redor

Aos próprios parentes,

Porque pretendem

Ser os únicos

Senhores,

Os verídicos 

Os ditadores

Da nação,

Da região...?!!!


II


As vezes,

Perante as várias

Crises

Sucessivas,

Sem tréguas,

Contínuas,

Sinto vontade

De estar calado,

Ficar no meu canto,

No meu mundo,

Não me envolver

Em politiquices

Guineenses,

Mas, a sede

É tanta, que acabo

Por me intrometer

Naquilo que nada percebo,

Porque o sofrimento

É tanto

Que não me deixa indiferente,

Porque a mente

Se sente

Muito triste

Perante

Tanto espetáculo,

Para não dizer,

Escândalo.


III


Obrigar o povo

De novo,

A ir às eleições,

Em condições?

Para mudar o quê

Em concreto?!

Porquê?

Que dividendos

Que benefícios

Para o povo

Miúdo,

Senão para o graúdo,

Alimentar

Os seus vícios,

Aumentar

E acumular

Os seus morgadios?

Os sacrifícios

Batem cada vez mais

As portas 

Dos infortunados

Sem saúde,

Sem educação,

Sem habitação,

Sem luz elétrica,

Sem água canalizada,

Sem mínimas condições

De dignidade humana!


IV


Sem escrever,

E abraçar o anonimato

Perante o que vigora

Na minha terra

Há muitas décadas!

É quase que abraçar

O suicídio

Pessoal 

E coletivo

Do meu povo,

Sem um único

Cêntimo diário

Para a própria

Sobrevivência!


V


Aqui,

Nestas linhas

Tortas,

Não pretendo

Dar

Lições,

Tirar

Ilações,

Mas apenas indagar,

As razões

Profundas

Que dispensaram

Diálogos,

Consensos

Entre amigos,

Irmãos

Ali,

E que culminou

Na dissolução

Da Assembleia

Nacional,

E, consequentemente,

A queda do governo

Saido das eleições

De junho último

E em funções,

Em menos de quatro meses!


VI


Ambição

De poder

E mais poder,

Levam os homens

A zaragata,

A luta

Desenfreada

Para alimentar

Os seus ínfimos,

Íntimos,

A defender

Os seus umbigos, 

A defender 

Os seus amigos,

Não importando

Com a Constituição,

Ignorando

Os interesses

Da Nação,

Dos irmãos guineenses!

Cegos,

Mudos

E surdos

Perante

Os ecos 

Da mudança,

Os ventos

Alísios

Que sopram

Do Continente,

Para o bem-estar,

Progresso

Do Povo,

Eis que a Guiné-Bissau

Se mergulhou,

Se enterrou

De novo

No abismo,

No marasmo!!!


VII


Até quando,

As aspirações

Das populações?!

Ai

"Desan"!

Ai,

Nha armon!

N, na pidi son

Deus, pa i librau

Di guerra

Na nô terra,

Suma kil de Bissau

De 7 de junho de 1998,

Guerra de "Bissauzinho"!!! 


VIII


Vou escrever,

Pois, é a única

Coisa 

Que agora

Sei fazer,

Melhor

Dito,

O que mal 

Sei fazer,

Um sinal

De quem

Quer

Liberdade,

Dignidade,

Justiça

Que muitos temem

Como o fim 

Dos seus apanágios,

Dos seus privilégios,

Sobretudo

Naquela terra

Do Serafim,

Geringonça 

Que peca

Pela crueldade,

Pela ditadura,

Que causa

O sofrimento

Infinito

Ao redor

Da gente

Inocente...!


Por causa

Do partido,

Por causa 

Do chefe do partido,

Não renuncie

A família,

Não deixe 

Cair a alegria

Que dantes nela existia...!!!


 Bem haja

A todos,

Pela Guiné-bissau!

Uma santa

Sexta-feira!


(Continua)


BRANDOA (sexta-feira, 04:12), 08 de dezembro de 2023.


KK-NDO

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