TENHO MEDO
DO MUNDO
ONDE ESTOU VIVENDO...
I
Navegar
No oceano
Imenso,
No Atlântico,
Onde o manjaco
Tem vindo
A nadar,
Sabendo
Que lá, há um dono,
O todo
Poderoso,
Que lança os seus tentáculos
Por todos os ângulos...
II
A hibernação
Limitou,
Impediu,
Estorvou
E diminuiu
A minha ação,
Encurtou
O meu horizonte
Que podia ter outro
Suporte,
Com outro
Quadro
Mais robusto
E mais atento...
III
No entanto,
Enquanto
Sujeito
Vivo,
Ativo,
Me sinto
Liberto
Do preconceito
Que diz respeito
Ao mito
Transato
Preso
Ao atraso,
Ao retrocesso
Secular
E milenar...
IV
Tenho
Medo
Do julgamento
Popular,
Do senso
Comum,
Que nos pode condenar
Sem julgar,
Um
Arbitrium
Sem nenhum
Testemunho,
Sem nenhum
Facto
Para e por provar...!
V
A confiança
Que se entrega,
É uma praga
Que nos cega,
Como quem
Detém
Uma reinança
Que o torna
O soberano,
O dono
De um império imenso,
O que o torna
O senhor todo poderoso!
VI
O hoje,
Um pouco sabemos,
Mas para longe,
Nada sabemos
Nem tão pouco saberemos...
VII
Contudo,
Nada tem sentido
Neste mundo.
Nunca devemos
Condenar por completo,
Cada ato
Que praticámos
Com um coração aberto,
Porque nós, às vezes,
Por benesses,
Agimos
Para o bem
De alguém...
VIII
Tenho medo
Do mundo
Vasto
E gigantesco...
É um isco
Predileto
Em que caímos,
Uma ratoeira
À beira
Dum beco
Onde entramos
Sem estarmos
Prevenidos
E preparados...!
(Continua)
BRANDOA, domingo, 01:43, 05 de fevereiro de 2023.
KANKAMBALL

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