quinta-feira, 4 de maio de 2023

 É o TEMPO

E NÃO A MORTE...


I


Rasguei o Oceano

Do(no) tempo

De menino

Com o corpo

Ainda pujante

Sob o olhar

 Indiferente

De qualquer semelhante,

Para abraçar

O magnânime

De encontro ao perfil e ao meu nome.


II


A casa do bosque

Com o seu meigo toque,

O seu Retoque

E requinte,

Passa amiudadamente

No meu semblante,

Deixando-me ainda mais triste

Na antiga metrópole,

No estigma

Da minha pele,

Na minha alma. 


III


O tempo

Pungente

No meu corpo,

O espaço sufocante,

Ambos contribuem

Para a deformação do homem(deste)

(Que, na vida),

Só o desaire,

Só o desastre

Existem.


IV


Cantarei

O fado,

Cantarei

Merengue,

Cantarei

Morna,

Cantarei

Batuque

(...),

Para esquecer o doloroso,

O menosorezado

Do mundo

E da acção citadina.



Bandjumpor,

Em Utiacor,

O teu nome,

É o invólucro

Do meu ser

Que jamais poderei esquecer;

O teu nome

É a recordação

Das recordações

Do meu coração

Que não são

Visões!


VI


Nas horas

Mortas,

Nas horas

(...) Chacinadas,

Nas horas 

Ocas,

Nas horas

De silêncio,

Ressucitas

Da mente

(minha?) Renovada,

Da mente rejuvenescida.


VII


És o nada,

Quando

O tudo

De entre estado

Em voga

Me persegue.

És a vida

Sonhada

No recôndito matizado

De um definível coração.


VIII


O mundo

Arruinado,

É o mundo

Gerninado

Do bem

E do mal,

De um homem,

De um sábio animal,

Que, com as suas

Próprias

Mãos,

Semeou a sua

Própria

Destruição.


 Lisboa, Av. Antóbio José de Almeida,...23/02/1985.


MATTOS(NDO)

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