NÉNE
DA GUINÉ
I
Quanto
Tempo,
Falta o tempo
Para que o tempo
Liberte
O meu corpo
E a minha mente
Deste
Tipo,
E sente
Livre para se enveredar
Para o outro campo
Totalmente
Limpo
Para nunca mais (se ) quedar?
II
Sou nené
Como qualquer
Outro nené
Da Guiné,
A gemer
E a temer
Pelo futuro
Incerto
E inseguro;
O pranto
Que permanece
Perene
No meu peito !
III
Oh! Como eu queria
Voltar,
Regressar
À minha Pátria,
Àquela correria
Nas matas
De Bolama,
Nas florestas
De Kantomá,
De Nova Sintra,
Ou nas " pontas"
De Quínara,
Onde "M,nth Brene(1)
E Khalifane(2)
Lavravam mancarra!
IV
Oh! Aquela tabanca,
Chamada
Lala,
Onde vivia
A etnia
Manjaca,
Beafada,
Mancanha,
Fula,
Mandinga,
Cada qual com a sua enxada,
Rumo à bolanha,
Para que haja a garantia
Do sustento, a alegria,
E a harmonia
Para (toda) cada família,
Que, infelizmente a guerra
Colonial
Arruinara,
Com a chegada
Do tuga,
Com o material
Bélico trazido por governadores da Guiné, Arnaldo Schulz e António de Spínola !
V
Oh! Ainda me
Lembro
De cada nome
De cada bairro,
Onde vivia
Cada etnia!
VI
Havia
Festa
De gaita,
Onde nos meses
E noites de luar,
Raparigas e rapazes
Não perdiam a oportunidade de bailar,
Cantando
E dançando
Ao som
Do tambor
Ou do bumbolom
Com muito amor
E vigor.
VII
Oh! Como eu queria
Voltar ao tempo de menino
Africano
Na selva
Genuína,
Que nos salvava
Da praga humana
Ou de qualquer selvajeria !
VII
Nós, os meninos
Das sanzalas,
Das lalas
De outrora,
Não tínhamos quaisquer treinos
Idênticos a dos meninos
De agora;
Nada tínhamos,
Senão o que improvisávamos
Da própria natureza,
Na sua pureza.
IX
A nossa inocência
Fazia-nos felizes;
Não conhecíamos crises,
Nem tão pouco a democracia.
X
Oh! Continuo a ser nené
De Timanane(3),
De M,nth Brene,
Neto de Docudjune(4)
E de Khalifane,
Que acredita no " unu"(5) "fane"(6),
Porque sou "nalempe"(7).
1. Cognome do meu pai no bairro, que significa no dialeto manjaco, o dono do mato(ou da mata);
2. Meu avô paterno;
3. Minha querida mãe:
4. Minha avó materna;
5. No dialeto manjaco, o dia de;
6. No dialeto manjaco, amanhã;
7. No dialeto manjaco, trabalhador.
C. COMERCIALFERRARA PLAZA( PAÇOS DE FERREIRA-3ª- 13H37 MINUTOS), 25 DE JUNHO DE 2013.
KANKAMBAL- MATTOS FERREIRA (NDO)

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