domingo, 25 de junho de 2023

 NÉNE

DA GUINÉ


I


Quanto 

Tempo,

Falta o tempo

Para que o tempo

Liberte

O meu corpo

E a minha mente

Deste

Tipo,

E sente

Livre para se enveredar

Para o outro campo

Totalmente

Limpo

Para nunca mais (se ) quedar?


II


Sou nené

Como qualquer 

Outro nené

Da Guiné,

A gemer

E a temer

Pelo futuro

Incerto

E inseguro;

O pranto

Que permanece

Perene

No meu peito !


III


Oh! Como eu queria

Voltar,

Regressar

À minha Pátria,

Àquela correria

Nas matas

De Bolama,

Nas florestas

De Kantomá,

De Nova Sintra,

Ou nas " pontas" 

De Quínara,

Onde "M,nth Brene(1)

E Khalifane(2)

Lavravam mancarra!


IV


Oh! Aquela tabanca,

Chamada

Lala,

Onde vivia

A etnia

Manjaca,

Beafada,

Mancanha,

Fula,

Mandinga,

Cada qual com a sua enxada,

Rumo à bolanha,

Para que haja a garantia

Do sustento, a alegria,

E a harmonia

Para (toda) cada família,

Que, infelizmente a guerra

Colonial

Arruinara,

Com a chegada

Do tuga,

Com o material

Bélico trazido por governadores da Guiné, Arnaldo Schulz  e António de Spínola !


V


Oh! Ainda me 

Lembro

De cada nome

De cada bairro,

Onde vivia

Cada etnia!


VI


Havia 

Festa 

De gaita,

Onde nos meses

E noites de luar,

Raparigas e rapazes

Não perdiam a oportunidade de bailar,

Cantando 

E dançando

Ao som 

Do tambor

Ou do bumbolom

Com muito amor

E vigor.


VII

Oh! Como eu queria

Voltar ao tempo de menino

Africano

Na selva

Genuína,

Que nos salvava

Da praga humana

Ou de qualquer selvajeria !


VII


Nós, os meninos 

Das sanzalas,

Das lalas

De outrora,

Não tínhamos quaisquer treinos

Idênticos  a dos meninos

De agora;

Nada tínhamos,

Senão o que improvisávamos

Da própria natureza,

Na sua pureza. 


IX

A nossa inocência

Fazia-nos felizes;

Não conhecíamos crises,

Nem tão pouco a democracia.


X


Oh! Continuo a ser nené

De Timanane(3),

De M,nth Brene,

Neto de Docudjune(4)

E de Khalifane,

Que acredita no " unu"(5) "fane"(6),

Porque sou "nalempe"(7).


1. Cognome do meu pai no bairro, que significa no dialeto manjaco, o dono do mato(ou da mata);

2. Meu avô paterno;

3. Minha querida mãe:

4.   Minha avó materna;

5. No dialeto manjaco, o dia de;

6.  No dialeto manjaco, amanhã;

7. No dialeto manjaco, trabalhador.


C. COMERCIALFERRARA PLAZA( PAÇOS DE FERREIRA-3ª- 13H37 MINUTOS), 25 DE JUNHO DE 2013.


                                KANKAMBAL- MATTOS FERREIRA (NDO)

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