SE
LÊ,
QUANDO NÃO SE
ESCREVE...
A POESIA,
A FANTASIA
OU A TERAPIA?
I
Um vício,
Esse ofício
Da escrita
Que me tenta,
Que me incita
A experiementar
O bem-estar
Na caminhada
Da vida,
Filho
Cheio de orgulho,
Por ter vivido da bolanha
Da minha
Querida
Nhanha,
Algures
Naqueles lugares!
II
Tenho saudade
Da escrita
Que elevava,
A minha auto-estima
Em cada dificuldade
Que me batia a porta,
Em cada contrariedade
Que esbarrava
O meu
Eu,
Mas que sempre teima!
III
Hoje,
Longe
Desse desejo,
Aqui tão perto
Do Tejo,
Resisto
À enfermidade
Que impede
A minha mobilidade
Há mais de três
Meses
Afastando-me deste espaço
Predileto,
Que apelidei de laço!
IV
Lugares
Tão recônditos
Onde os meus antepassados
Construiram os seus humildes lares,
Legando-nos os conhecimentos
Relacionados
Com a sua história,
Com a sua vivência,
Como por exemplo,
kantoma,
Bolama,
Quínara,
Nova Sintra;
Cada uma, um símbolo
De resistência
Contra
A ocupação estrangeira
V
Tenho saudades
De outros tempos
Que nunca mais voltam!
Tenho saudades
Dos lugares,
De "djambarés",
Onde tudo
Se entroncava
E onde tudo
Se desenhava!
As amizades
Dos campos
Onde se contavam
E ainda se contam
As bravuras
Nas sombras
De humildades,
Sinceridades
E de tudo!
Lá se lavravam
Mancarra,
Feijão, inhambe, abóbora,
Etc!
VI
Lá ,
Na Lala,
Onde cresci
E vivi
Por pouco tempo,
Pois, fui levado
Para o outro lado,
Porque se temia
A inércia
Do meu corpo,
Ou desejando
Fertilizar a minha mente,
Ou se tentava evitar a minha morte.
VII
A poesia,
Como alguém dizia,
É como uma terapia
Que alivia
A nossa dor,
Aumenta o nosso amor
Connosco próprios,
Nos desvia
De maus vícios,
Nos eleva para lugqares
Altos ou altares.
A escrita
É a ponta
Que me incita
A ter uma visão otimista
Da realidade
Que nos circunscreve,
Da humanidade
Onde se vive.

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