sexta-feira, 23 de setembro de 2022

 O DESPERDÍCIO/DO CONTRATADO VITALÍCIO/


I


Eis que o meu coração

Suporta tanta aflição,

Tanta angústia

De cada notícia

Vinda do Ministério

De Educação:

A minha não colocação,

Com o início

De cada ano lectivo!

O martírio,

O desperdício 

Do professor

Ainda activo

Que causa a sua grande dor,

Oh,o contratado vitalício!


II


OH!Quando será o fim

Do meu sofrimento

Permanente,

Eu, o sujeito,

Cujo comportamento

Reflecte 

No meu relacionamento

Com toda a gente,

Com cada semelhante,

Porque pretendia,

Em cada dia,

Cumprir o objectivo pelo que vim?!


III


Como sarar

A ferida

Causada

Com o virar

De cada tempo

No espaço

Limpo

E escasso?


IV


O educador

Com a dor,

Como professor

Emissor

Do valor

Que aprendeu

De cor,

Desde Utiacor

Na terra

Do Chão Manjaco,

Até a linda cidade 

De Évora,

Onde saboreou tudo um pouco

Relativo à universalidade

Da Humanidade.


V


O Manjaco

Na terra 

Do Branco,

Que,com afinco

Procura

O parco

O suco

Para o sustento,

Para o alimento 

Da sua família,

Tanto cá,

Como lá,

Que está sempre em vigília

E sem folia.


VI


A terra

Madrasta

Que, em cada dia me afasta,

Que já não me aceita,

É responsável

Pelo que me sinistra

Nesta 

Terra 

Que já não é arável.


VII


Eis a lição 

Da emigração:

A frustração 

De quem não 

Cumpriu a missão

Para com a sua população,

Nem tão pouco o pão

Para a continuação

Da sua geração,

Da sua espécie.

Na superfície.


VIII


No entanto,

Eu exorto

A todos os que se encontram

Na condição idêntica

À minha,

De não baixarem 

Os braços

E que façam esforços

De serem

Fortes,

Optimistas e confiantes

No dia de amanhã.


PV CITY(2ª), 24 DE SETEMBRO DE 2012.


                                         MATTOS (NDO)

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