O DESPERDÍCIO/DO CONTRATADO VITALÍCIO/
I
Eis que o meu coração
Suporta tanta aflição,
Tanta angústia
De cada notícia
Vinda do Ministério
De Educação:
A minha não colocação,
Com o início
De cada ano lectivo!
O martírio,
O desperdício
Do professor
Ainda activo
Que causa a sua grande dor,
Oh,o contratado vitalício!
II
OH!Quando será o fim
Do meu sofrimento
Permanente,
Eu, o sujeito,
Cujo comportamento
Reflecte
No meu relacionamento
Com toda a gente,
Com cada semelhante,
Porque pretendia,
Em cada dia,
Cumprir o objectivo pelo que vim?!
III
Como sarar
A ferida
Causada
Com o virar
De cada tempo
No espaço
Limpo
E escasso?
IV
O educador
Com a dor,
Como professor
Emissor
Do valor
Que aprendeu
De cor,
Desde Utiacor
Na terra
Do Chão Manjaco,
Até a linda cidade
De Évora,
Onde saboreou tudo um pouco
Relativo à universalidade
Da Humanidade.
V
O Manjaco
Na terra
Do Branco,
Que,com afinco
Procura
O parco
O suco
Para o sustento,
Para o alimento
Da sua família,
Tanto cá,
Como lá,
Que está sempre em vigília
E sem folia.
VI
A terra
Madrasta
Que, em cada dia me afasta,
Que já não me aceita,
É responsável
Pelo que me sinistra
Nesta
Terra
Que já não é arável.
VII
Eis a lição
Da emigração:
A frustração
De quem não
Cumpriu a missão
Para com a sua população,
Nem tão pouco o pão
Para a continuação
Da sua geração,
Da sua espécie.
Na superfície.
VIII
No entanto,
Eu exorto
A todos os que se encontram
Na condição idêntica
À minha,
De não baixarem
Os braços
E que façam esforços
De serem
Fortes,
Optimistas e confiantes
No dia de amanhã.
PV CITY(2ª), 24 DE SETEMBRO DE 2012.
MATTOS (NDO)

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