MAMÃ
TEIMA
NO QUE AMA
I
Sem ninguém
Para conversar,
Para dialogar,
O único
Meio
De combater
O silêncio,
É verter
A tinta
Sobre o papel
Branco
Que alivia o fel
Deste homem
Manjaco,
Que a vida finta.
II
O sonho
Tacanho
De Joãozinho
Ao despedir-se
Do colega “Manelinho”
Rumo
À Europa,
Continente
De oportunidade,
Foi para a água
Abaixo!
O emigrante
No lixo,
Na copa,
Apanhando a sopa
Da solidariedade
Devido à crise!
III
A mamã
Está triste,
Porque a vida
A trama
Em cada
Entrada,
E em cada
Tentativa,
Leva
Sempre uma porrada,
Uma bofetada
Bem quente.
IV
A mamã
Não tem pão
Para as filhas,
Não tem arroz
Para cozinhar
E já não pode sonhar
Como ontem,
Porque já nada tem
E nem
O seu homem
Pode salvá-la
E para sempre cala.
V
Amargurada,
Desempregada,
O semblante
Triste,
A mamã
Não sai
De cama
E nenhum lado vai,
Porque também
Não tem
Como fazê-lo.
VI
A mamã
Que tanto ama,
Faz a prece
Ao que a Providência
Lhe dá
E oferece
Em cada
Dia,
E do fundo do seu ser,
Agradece
Por continuar a viver.
VII
A mamã
Que muito ama,
Tem sempre uma chama
Que a ilumina
Em cada zona,
A guia
Em cada dia,
Dando-lhe força
E esperança
Para seguir sempre em frente,
Para qualquer combate,
Para todo o embate
Que a desafia,
E confia
No dia
Mais radiante.
CATUJAL-UNHOS(2ª-FEIRA, 01H40 MINUTOS), 14 DE ABRIL DE 2014.
KANKAMBAL(NDO)

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