quinta-feira, 1 de setembro de 2022

 CUTUM MADINA (MEDINA?)


I


A cada esquina,

No Bairro

De Cutum Madina(Medina?),

Me deparo

Com um buraco,

Há sempre um espaço oco,

Onde arduamente,

Labutam os homens, mesmo sem horizonte.


II


Nos rostos das pessoas

Nada nos transparece risonho!

Já não há gamboas,

Porque o Estado está morto

E as mágoas

Pululam entre o povo faminto!!!


III


As greves sindicais,

(Será que existem?!)

Assolam o país.

Tudo

Está paralisado,

Nada está definido.

Os grandes

Estão indiferentes

De tantas mortes,

De tantas calamidades

Dos inocentes!!!


IV


Os ministros,

São os maestros;

Os secretários,

São os larápios;

Os directores

São os abutres!


V


Aqui, tudo

Está quase podre!

Acomoda-se com o compadre,

Porque a própria mulher é comadre!

Porque num Estado

De putrefacção,

É inevitável a corrupção!


VI


O taxista,

O “candonguista”,

O carteirista ,

O de “toca-toca”, o legalista

Motorista,

O “bideiro”,

O pedreiro,

Ou o carpinteiro,

Todos estão contentes,

Porque não há controlo nas fontes,

E os outros, estão tristes!!!


VII


Não têm

Pão,

Porque não lhes dão

O que realmente têm,

Porque à custa deles, se divertem

Como os nobres da Idade Média,

Que não se preocupavam com o seu dia -

-Dia.


VIII


Têm

Bons carros,

Têm

Boas e bonitas

Mulheres,

“Casa um, casa dois, casa três”.

Não sabem

Se os produtos são caros.

Têm

Fartas

Mesas

E têm

Esperanças,

Porque pensam serem

Donos

E gestores

(Eternos)

Desta nossa querida terra

Até a sepultura!!!!


IX


Aí, minha Guiné!

Continuas a ser Néné (“néné”)!

Com a tua fama,

Retribuis

Como país,

“Djarama”

Aos que te lembram

E sempre te ajudam

Acompanham

Onde moram!!!


X


Em nome da estabilidade,

Enterraste

O peso.

Em nome da prosperidade,

Puseste

Em circulação, o franco forte

E coeso,

Que substitui os habituais milhões,

Que apenas alimentavam ilusões!


XI


Percorri

Ruas

E ruas ,

Mas nada vi

E nada encontrei.

Apenas misérias,

Vendo homens com” zum-

-Zum”,

O refúgio

Que se torna vício.

Pelo que copiosamente chorei.

Chorei

Devido a indiferença

De tanta pobreza

Na ignota massa!

Chorei

Pelos ventres

Famintos

Por causa

Dos abutres;

Chorei

Pelos desempregados hirtos

E com tantos

E tantos

Vómitos!!!

E regressei

À terra

Que o destino

Me empurrara

Sem aceno,

Regressei

A Lisboa

Com muita mágoa!

Guiné, terra

“pequenino”

Mas “garande” na fama”

Que já não tem alma,

Guiné,

Terra “sabi”,

Mas que deixou o”nantubi”

Decepcionado

E magoado

Pelo se lastimável estado.


( POESIA POR CONCLUIR)

CUTUM MADINA, EM BISSAU (6ª-FEIRA), 22 DE AGOSTO DE 1997.

                     

                                                      MATTOS (NDO)


QUANDO

CONCLUIREI

ESTA  POESIA?


I


Não é o tamanho

De um homem

É que conta,

("OS HOMENS NÃO SE MEDEM PELOS PALMOS")

Mas sim, pelo seu carácter,

Pela sua maneira de ser,

Pelo sonho

Que tem

Como um progressista

Para a sua pátria,

Para o seu povo,

Que em colaboração

E em companhia

Do seu coevo,

Faz da sua Nação

Uma sociedade

De consenso,

De progresso

E de felicidade!


II


Quando

Chegará

O amanhã

Que" Ndo"

Sonha

A caminhar,

E nunca encontrará

Alguém

Para testemunhar

Por causa da espinha

Que o detém?


III


Como estará

Agora  

Cutum

Madina

Ou Pilum,

Depois de mais de uma década?


IV


A poesia

Está vazia,

Está num estado 

De apatia,

Num estado

Sombrio,

Que o próprio 

Ndo

Já não confia,

Já não segura

O fio

Que o sustenta,

Ata

E amarra!


V


Os atores

De ontem,

Não desistem

De perpetuar as dores

E horrores

Nos seus irmãos,

Que já não têm

Mãos 

Para travarem

As maldades

Que semeiam nos arredores,

E em todas as cidades

Da Guiné – Bissau.


VI


A poesia

Que eu pretendia

Adoçar,

Embelezar

Com as cores

Da bandeira

Da nossa terra,

Não terá

Um nome

Pomposo

E “jeitoso”,

Por causa do azedume

Causado pelos homens medíocres,

Os “cocres”

E abutres

Que (apenas) procuram os mortos e os podres.


VII


OH! Que maldade

Recaiu sobre a minha sociedade!

A terra da minha mocidade,

A terra onde

Não gozei a minha juventude,

Em virtude

Do sonho da prosperidade

E da felicidade

Para o meu próprio povo,

Que, infelizmente, não contribui, nem com um ” centavo”

Para que isso se tornasse realidade!


VIII


Mas, um dia,

Mais tarde 

Ou mais cedo,

Alguém

Com coragem, 

Terminará

Esta poesia

Por mim!

Será 

Um dia 

De alegria,

Quando 

Houver

A concórdia,

O entendimento,

A harmonia,

O diálogo,

Como pessoas civilizadas,

Sem tear o fogo

Nas labaredas

Como factor de impedimento

Para a paz na nossa terra!

Assim,

A minha poesia,

Terá

O seu fim!


PÓVOA DE SANTO ADRIÃO ( ODIVELAS, TERÇA-FEIRA, 23H13 MINUTOS), 01 DE SETEMBRO DE 2015.


                                                                 KANKAMBALL (NDO)

Sem comentários:

Enviar um comentário