A FLUTUAR
NO AR
E PACTUAR
COM O MAR...!
I
Pela aurora
Que alguém procura
Uma quimera,
Que dista em Quínara,
Na tabanca que brincara
Quando ainda era
Uma criança com doçura
Idêntica à primavera
Que nos idolatra
Debaixo daquele irã,
Que nos protege da ira
Do diabo ou da feiticeira!
II
Nas terras africanas,
Ainda que brancas,
As fainas
São idênticas
Àquelas tabancas
Onde os" labores"
Dos lavradores,
Dos pastores
Ou dos pescadores
São acompanhados de sons de tambores
Que rufam
Cada tam-tam
E motivam,
Dão as forças aos seus autores!...
III
Inspirado
Na força
Divina
A criança
Homem,
De origem
Pelundo,
Solta a sua aspirina
Masculina
Na terra
Marroquina,
Depois de ter voado
No ar
Como um pássaro nado
No espaço lunar,
Enquanto
Um(o) pássaro
Sobrevoa
O espaço
Infinito,
Sinto
Um imenso
Vazio
No silêncio
Imposto
Pelo carro
Aéreo
Que nos delícia .
IV
Enquanto
Não vejo
A terra
Firme,
O meu peito
Treme
Como caranguejo
Envolto
Na sua carcaça
Dura
Como uma pedra
Ou como um velho seguro
Na sua "morança".
V
O mundo
Está feito,
Está munido
De coisas
Gerais,
Coisas particulares
Em todos os lugares
E tudo
È infinito.
VI
A minha ignorância
Inquieta
A minha consciência,
Atormenta
A minha existência...
...
VII
Bolama
Se assemelha
A Roma,
Quando espelha
Na Natureza
A sua beleza
Íngreme
Sem nome,
Sem dono
E brilha
Na noite
Incandescente,
Àquela que se deixa
Na faixa
Que não se encaixa
Em
Nenhuma trouxa,
Nem
Ninguém
A puxa
Para dentro,
Ou alguém
Se vai ao seu encontro
No seu apuro,
No seu sono
Profundo,
No abandono
Pelo partido
Pelo qual
O regime
Colonial
Português
A tinha considerado
O ninho dos terroristas,
Àqueles
Senhores
"Abutres"
Que eram nacionalistas !
VIII
Oh minha Bolama,
Que alguém trama,
Tirando-lhe a fama
Pela qual era conhecida
Naquela década
Airosa
Da independência,
A imensa
Resistência,
Feita
Sob à dura
E austera
Luta
Da liberação
Da nossa Nação!
(Por continuar)
No ar, no espaço marroquino, 29 de dezembro de 2017 .
KANKAMBAl(NDO)

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