domingo, 16 de outubro de 2022

 COMO CALAR?

COMO NÃO FALAR?!


I


Não escrever

É fazer

Perecer

Um ser

Que quer

Viver...


II


Resisto

A tentação 

De passar 

Um dia 

Sem escrever...

Mas, quão 

Difícil

Suportar, 

Aguentar

Esse peso

Tão pesado,

Imenso

Que pode esmagar

Os meus frágeis 

Ombros 

Por tanto

Carregar

Ao longo dos anos...!


III


Calar 

E não acrescentar

Nada 

Nesta vida,

Em que se esbarra

Em cada 

Segundo,

Em cada

Minuto,

Em cada hora,

Em cada 

Mês, 

Em cada

Ano,

Em cada 

Seculo,

E nada

Falar

E ficar

E quieto

Como um busto

Numa praça 

Povoada

De monstro

De rosto

Humano

Sem piedade

Sem condescendência 

E paciência 

Para consigo 

Mesmo,

Nem com o amigo,

Ou com o próximo,

É contribuir 

Para a degradação 

Cada vez mais

Da consciência 

Humana

Em cada país,

Em cada nação, 

Em cada sociedade,

E caminhar-se para a senda

Da putrefação...!


IV


Falar

E não se calar,

Para denunciar

Os males

Daqueles

Que nos levam à crise,

À falência, 

À ruína,

Ao escândalo ,

Ao pesadelo

Do século, 

Ao incrédulo 

Monótono 

Do humano

Desumano,

Que só pensa em si,

No seu umbigo 

E esquece o amigo,

Sobretudo

Aquele sem-abrigo

Que nada tem,

Senão do frio,

Da chuva, 

Do sol ardente,

Da manta 

Nojenta

Suja,

Senão 

DO pão 

Da piedade,

Piedade

Daqueles

Que ainda têm corações 

Humanos,

De instituições 

De caridade,

Da misericórdia

Em cada dia.


V


O artista 

Não pode calar-se,

Não pode contentar-se 

Com migalhas,

De palhas

Que vêm de alguns pontos,

De alguns cantos

Remotos,

Que, de quando

Em vez,

"Chovem"

Para matar a fome

E sempre com sede

Do amor,

Da paz, 

Do consolo,

Do colo, 

Do apelo

De solidariedade,

De igualdade,

Da liberdade,

É do "Bazuca"

Que vem da Europa...!


(Continua)


BRANDOA (Amadora, sábado,  05:25), 16 de outubro de 2021.


                                     KK (NDO)

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