segunda-feira, 17 de outubro de 2022

 Há um ano,

Não sei 

O que me levou

A esta parada!:


NO DESERTO,

ASSISTO

UM CONCERTO ...


I


Cada facto,

É um acontecimento

Que, até um certo

Ponto,

Mexe com a consciência de um santo

Ou de um maldito

Sujeito...


II


Me vejo,

Com pejo,

Enquanto 

Que os outros

Nos seus encontros,

Resulta sempre um projeto,

Algo concreto,

Algo cujo 

Cortejo

Os leva a um bom porto. 

A mim,

A trajetória

É contrária, 

Pois, me leva

A selva

Próxima,

Em cima

Do" meu" Tejo",

Que substituiu o Corubal

Da minha terra natal...


III


O destino 

Do menino

Africano,

Que sente o abandono

Do seu dono,

Do seu patrono,

No momento em que o sino

Anuncia o advento

De um reino

Mais benigno,

Mais perfeito,

Mais justo,

Mais humano

E mais puritano

Com um cântico divino...!


IV


A noite

Acompanha

Aquela peste

Que ainda sonha 

Com cada obra

Que quebra

O jejum

De algum,

Que a penumbra

Atira

Para a sombra,

Atira

Para 

Fora,

A tira 

Negra

Na sua cara...


V


Noites 

Pungentes

Para mim,

Que parecem não ter fim,

Me conduzem 

Para à imaginação, 

Para à divagação, 

Para à reflexão 

De cada item 

Sem roupagem

Numa dada margem

Ou duma determinada personagem...


VI


A cada hiato 

De pensamento

Em dado momento,

Eu me sinto

Como o resto,

Um pedaço do conjunto

Vasto,

Feito

Apenas como um complemento...!


VII 


O meu amor

Extravasa

O quarto,

O piso direito 

Do apartamento,

Atravessa

O canto

Superior

E passa

Para o exterior,

Ao redor,

Junto

Dos que carecem do valor 

Superior

Da(Na) existência humana

E terrena...!


(Continua)


Brandoa(AMADORA,  sábado,  05:47), 17 de outubro de 2020.


                                                KK

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