Há um ano,
Não sei
O que me levou
A esta parada!:
NO DESERTO,
ASSISTO
UM CONCERTO ...
I
Cada facto,
É um acontecimento
Que, até um certo
Ponto,
Mexe com a consciência de um santo
Ou de um maldito
Sujeito...
II
Me vejo,
Com pejo,
Enquanto
Que os outros
Nos seus encontros,
Resulta sempre um projeto,
Algo concreto,
Algo cujo
Cortejo
Os leva a um bom porto.
A mim,
A trajetória
É contrária,
Pois, me leva
A selva
Próxima,
Em cima
Do" meu" Tejo",
Que substituiu o Corubal
Da minha terra natal...
III
O destino
Do menino
Africano,
Que sente o abandono
Do seu dono,
Do seu patrono,
No momento em que o sino
Anuncia o advento
De um reino
Mais benigno,
Mais perfeito,
Mais justo,
Mais humano
E mais puritano
Com um cântico divino...!
IV
A noite
Acompanha
Aquela peste
Que ainda sonha
Com cada obra
Que quebra
O jejum
De algum,
Que a penumbra
Atira
Para a sombra,
Atira
Para
Fora,
A tira
Negra
Na sua cara...
V
Noites
Pungentes
Para mim,
Que parecem não ter fim,
Me conduzem
Para à imaginação,
Para à divagação,
Para à reflexão
De cada item
Sem roupagem
Numa dada margem
Ou duma determinada personagem...
VI
A cada hiato
De pensamento
Em dado momento,
Eu me sinto
Como o resto,
Um pedaço do conjunto
Vasto,
Feito
Apenas como um complemento...!
VII
O meu amor
Extravasa
O quarto,
O piso direito
Do apartamento,
Atravessa
O canto
Superior
E passa
Para o exterior,
Ao redor,
Junto
Dos que carecem do valor
Superior
Da(Na) existência humana
E terrena...!
(Continua)
Brandoa(AMADORA, sábado, 05:47), 17 de outubro de 2020.
KK

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