quinta-feira, 6 de outubro de 2022

 Esta poesia 

Tão antiga,

Me arrepia

Me toca

No fundo,

Como quando

Se toca

Numa chaga!

A dor 

É idêntica,

Como se perde um grande amor!


II


Évora,

Que se lembra,

De tudo o que passara,

Das correspondências

Intermináveis

Daquela 

Bela 

Senhora 

Que hoje,

Felizmente 

Minha senhora,

Minha esposa, 

A  diva preciosa

Longe,

Ainda que as distâncias,

Não sejam fatores favoráveis...!


III


Como escrevi

Este poema,

Não me perguntem 

Como,

Porque o que vivi,

Só Deus o sabe!

Por isso,

Vos digo,

A adoro...!


N,NA,

MAMÃ

NEGRA !


I


No poilão habitual,

Já não existe o ritual

Onde eu, quando

Ainda miúdo,

Menino

De mandado,

Tu estendias o teu pano

Para o meu repouso,

Para não ser no teu regaço,

Para me enrolar

E observar 

O raio solar

Que, furtivamente,

Rachava aquele ramo inerte!


II


N,NA,

MAMÃ

NEGRA!

Ai! Ai!

Quem és tu agora?!

Quem és tu neste momento

Tão funesto?

Ai! Ai!

MAMÃ

NEGRA!

Estás tão diferente e magra!


III


Que feiticeiro

Te enfeitiçou,

MAMÃ

NEGRA?

Qual foi o embondeiro

Que te arrasou?!


IV


Onde está o teu penteado

Natural e chato,

Que srmpre me tens mostrado,

Quando

Eu me mergulhava no meu pranto?!


V


MAMÃ

NEGRA,

Sorri um pouco,

Porque eu sou(um) músico,

Toco

E danço com mana Djara!


VI


N,NA,

No meu interior,

Há um bombolom

De amor,

Que transmite o som

Mágico

E trágico

Que trago

Comigo,

Porque sou o lago

N,NA!


VII


N,NA,

No meu interior,

Há um bombolom

De amor,

Porque eu sou um Dom

Que descende de Utiacor!

Eu trago-o comigo,

Porque eu sou lago

Que banha

E alimenta a tua bolanha!


VIII


MAMÃ

NEGRA,

Sorri um pouco,

Com muito afinco

Para a Tua seiva pura,

Genuína

E digna.


IX


N,NA,

O teu filho

Tem um fardo

Sobre às costas.

Só dele se libertará,

Só o descerá,

Quando

O brilho

Banhar a tua face

E desaparecer as tuas rugas!!!


X


Sou manganás(1)

Que ignora o sofrimento;

Sou o teu rapaz

De fato

Roto,

De pés descalcos,

De soluços 

Constantes e imensos

Na tabanca

De Nhǒ Maca,

Hoje em cacos e destroços !


XI


N,NA,

A guerra

Que me " botou" na emigracão,

Não me fez esquecer 

Aquela

Terra

Onde nascera!

Daquela terra

De coracão,

Que me viu nascer,

Crescer!

Nunca vou esquecě-la!!!


ÉVORA(terca-feira), 04 de Dezembro de 1984.


MATTOS(NDO)

Sem comentários:

Enviar um comentário