Esta poesia
Tão antiga,
Me arrepia
Me toca
No fundo,
Como quando
Se toca
Numa chaga!
A dor
É idêntica,
Como se perde um grande amor!
II
Évora,
Que se lembra,
De tudo o que passara,
Das correspondências
Intermináveis
Daquela
Bela
Senhora
Que hoje,
Felizmente
Minha senhora,
Minha esposa,
A diva preciosa
Longe,
Ainda que as distâncias,
Não sejam fatores favoráveis...!
III
Como escrevi
Este poema,
Não me perguntem
Como,
Porque o que vivi,
Só Deus o sabe!
Por isso,
Vos digo,
A adoro...!
N,NA,
MAMÃ
NEGRA !
I
No poilão habitual,
Já não existe o ritual
Onde eu, quando
Ainda miúdo,
Menino
De mandado,
Tu estendias o teu pano
Para o meu repouso,
Para não ser no teu regaço,
Para me enrolar
E observar
O raio solar
Que, furtivamente,
Rachava aquele ramo inerte!
II
N,NA,
MAMÃ
NEGRA!
Ai! Ai!
Quem és tu agora?!
Quem és tu neste momento
Tão funesto?
Ai! Ai!
MAMÃ
NEGRA!
Estás tão diferente e magra!
III
Que feiticeiro
Te enfeitiçou,
MAMÃ
NEGRA?
Qual foi o embondeiro
Que te arrasou?!
IV
Onde está o teu penteado
Natural e chato,
Que srmpre me tens mostrado,
Quando
Eu me mergulhava no meu pranto?!
V
MAMÃ
NEGRA,
Sorri um pouco,
Porque eu sou(um) músico,
Toco
E danço com mana Djara!
VI
N,NA,
No meu interior,
Há um bombolom
De amor,
Que transmite o som
Mágico
E trágico
Que trago
Comigo,
Porque sou o lago
N,NA!
VII
N,NA,
No meu interior,
Há um bombolom
De amor,
Porque eu sou um Dom
Que descende de Utiacor!
Eu trago-o comigo,
Porque eu sou lago
Que banha
E alimenta a tua bolanha!
VIII
MAMÃ
NEGRA,
Sorri um pouco,
Com muito afinco
Para a Tua seiva pura,
Genuína
E digna.
IX
N,NA,
O teu filho
Tem um fardo
Sobre às costas.
Só dele se libertará,
Só o descerá,
Quando
O brilho
Banhar a tua face
E desaparecer as tuas rugas!!!
X
Sou manganás(1)
Que ignora o sofrimento;
Sou o teu rapaz
De fato
Roto,
De pés descalcos,
De soluços
Constantes e imensos
Na tabanca
De Nhǒ Maca,
Hoje em cacos e destroços !
XI
N,NA,
A guerra
Que me " botou" na emigracão,
Não me fez esquecer
Aquela
Terra
Onde nascera!
Daquela terra
De coracão,
Que me viu nascer,
Crescer!
Nunca vou esquecě-la!!!
ÉVORA(terca-feira), 04 de Dezembro de 1984.
MATTOS(NDO)

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