AMILCAR CABRAL,
O NOSSO MEMORIAL
I
Cabral
Sonhou,
Lutou
E tombou
Para a independência
Total da(s) sua(s) terra(s),
Guiné e Cabo Verde.
II
Como Cabral,
Muitos outros compatriotas nossos
Foram guiados
Orientados
E norteados
Por esse grande sonho.
III
No momento
Da grande crise,
O sentimento
Geral
Da catarse,
Do nosso saudoso Amílcar Cabral,
Àquele que nos deu a liberdade,
A democracia
E personalidade
Jurídica como nação.
IV
Volvidos 40 anos
Da independência,
Queridos camaradas e compatriotas,
O que efetivamente temos hoje?
Liberdade, democracia, justiça, progresso, desenvolvimento?
V
Estou amorfo,
Estou inerte!
Não tenho alma
Como filho de Bolama,
Como um cidadão,
Como filho de uma nação
Conquistada à mercê de sacrifícios e sangue
Dos seus melhores filhos,
Como um cidadão
Com uma identidade própria,
Porque o país se desintegrou,
Regrediu,
Para não dizer, se desmoronou
(Caros irmãos, notem bem, isso não quer dizer que seja pessimista/, alarmista/, mas sim realista/ perante/um caso evidente/)
VI
Somos, quero dizer, a Guiné-Bissau é “uma república no papel”, como dizia o Ministro de Negócios Estrangeiros português, Rui Patrício em 1973, em visita oficial a Londres. Um “acto de propaganda”, referindo-se à proclamação da República da Guiné-Bissau, em 24 de Setembro nas colinas de Boé.
Essa “propaganda” continua até o dia de hoje? Foi um mero episódio e hoje, um repúdio? Não somos nada? Não somos ou fomos independentes juridicamente como uma nação, com um estado próprio? Uma independência para “ o inglês ver”? Um Estado falhado?
Não, não, não camaradas! O estado somos todos nós bons filhos da Guiné-Bissau! Tenho sempre “água na boca”, quando oiço falar da Guiné-Bissau! Recordo bons pratos típicos da Guiné, caldo de mancarra, chabéu e tantos outros deliciosos pratos com mariscos!
Os ventos da independência não nos levaram bem longe como outras nações independentes e ficámos estagnados , parados no tempo e no espaço com os governos sucessivos daqueles “juguedés” e “santchos”(1) do poder político, com aqueles funcionários das finanças analfabetos que se enriqueceram ilicitamente , com aqueles dirigentes políticos que afirmaram publicamente que os irãs” engoliram o dinheiro que estava nos cofres de Estado.
Oh! Minha Guiné! Guiné “ n,dessan”(dessan)(2), vais continuar a ser sempre e eternamente “n,dessan” entre os estados do mundo, votando o seu povo e a sua gente na miséria, ignorância, pobreza, e subdesenvolvimento?
VI
“Água na boca”
Pela minha Guiné,
Terra de cada néné,
De cada bebé,
Rica
E que choca
Quem é filho de boa gente,
Que sente,
Que tem alma,
Quando constantemente
Se derrama
Sangue
De irmãos, como Tagma,
Nino Vieira,
Veríssimo Seabra,
Ansumane Mané,
Paulo Correia,
Viriato Pam,
Hélder Proença,
Baciro Dabó
E tantos outros.
VII
E a memória ainda está viva
De toda a arbitrariedade
Perpetrada pelo P.A.I.G. C.
Sobretudo com pessoas ilustres e sublimes,
Como Joaquim Baticã Ferreira!
VIII
Como ser, cujo sangue não é de barata, desejo, no entanto, que a Guiné tivesse um bom rumo, para a paz, solidariedade, confraternidade, convivência pacífica, harmonia entre todos os guineenses.
IX
Sou como vós,
Ou como aqueles que não têm a voz
Junto das instâncias e instituições políticas,
Mas a minha e a vossa palavra
Ouve-se
E lê-se
Por cada letra
E sílaba que alguém soletra
Em silêncio,
Ou em viva voz,
Sem qualquer receio.
X
Como a independência
Não adubou a consciência
E a memória
Dos meus camaradas,
Em todas
As paradas,
Quando na época, todos gritavam:
Viva a independência,
Viva a liberdade,
Abaixo o colonialismo,
O imperialismo
E a ditadura salazarista!
1-Abutres e macacos
2 – Coitada ( n,dessan, em olofe)
(Por concluir)
PV CITY ( 3ª-FEIRA- 08H20MINUTOS), 24 DE SETEMBRO DE 2013.
KANKAMBAL (NDO)

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