sexta-feira, 24 de setembro de 2021

 AMILCAR CABRAL,

O NOSSO MEMORIAL


I


Cabral 

Sonhou,

Lutou

E tombou

Para a  independência

Total da(s) sua(s) terra(s),

Guiné e Cabo Verde.


II


Como Cabral,

Muitos outros compatriotas nossos

Foram guiados

Orientados

E norteados

Por esse grande sonho.


III


No momento

Da grande crise,

O sentimento

Geral 

Da catarse,

Do nosso saudoso Amílcar Cabral,

Àquele que nos deu a liberdade,

A democracia

E personalidade

Jurídica como nação.


IV


Volvidos 40 anos

Da independência,

Queridos camaradas e compatriotas,

O que efetivamente temos hoje?

Liberdade, democracia, justiça, progresso, desenvolvimento?


V


Estou amorfo,

Estou inerte!

Não tenho alma

Como filho de Bolama,

Como um cidadão,

Como filho de uma nação

Conquistada à mercê de sacrifícios e sangue

Dos seus melhores filhos,

Como um cidadão 

Com uma identidade própria,

Porque o país se desintegrou,

Regrediu,

Para não dizer, se desmoronou

(Caros irmãos, notem bem, isso não quer dizer que seja pessimista/, alarmista/, mas sim realista/ perante/um caso evidente/)


VI


Somos, quero dizer, a Guiné-Bissau é “uma república no papel”, como dizia o Ministro de Negócios Estrangeiros português, Rui Patrício em 1973, em visita oficial a Londres. Um “acto de propaganda”, referindo-se à proclamação da República da Guiné-Bissau, em 24 de Setembro nas colinas de Boé.

Essa “propaganda” continua até o dia de hoje? Foi um mero episódio e hoje, um repúdio? Não somos nada? Não somos ou fomos  independentes juridicamente como uma nação, com um estado próprio? Uma independência para “ o inglês ver”? Um Estado falhado?

Não, não, não camaradas! O estado somos todos nós bons filhos da Guiné-Bissau! Tenho sempre “água na boca”, quando oiço falar da Guiné-Bissau! Recordo bons pratos típicos da Guiné, caldo de mancarra, chabéu e tantos outros deliciosos pratos com mariscos!

Os ventos da independência não nos levaram bem longe como outras nações independentes e ficámos estagnados , parados no tempo e no espaço com os governos sucessivos daqueles “juguedés” e “santchos”(1) do poder político, com aqueles funcionários das finanças analfabetos que se enriqueceram ilicitamente , com aqueles dirigentes políticos que afirmaram publicamente que os irãs” engoliram o dinheiro que estava nos cofres de Estado.

Oh! Minha Guiné! Guiné “ n,dessan”(dessan)(2), vais continuar a ser sempre e eternamente “n,dessan” entre os estados do mundo, votando o seu povo e a sua gente na miséria, ignorância, pobreza, e subdesenvolvimento?


VI


“Água na boca”

Pela minha Guiné,

Terra de cada néné,

De cada bebé,

Rica

E que choca

Quem é filho de boa gente,

Que sente,

Que tem alma,

Quando constantemente 

Se derrama 

Sangue

De irmãos, como Tagma,

Nino Vieira,

Veríssimo Seabra,

Ansumane Mané,

Paulo Correia,

Viriato Pam,

Hélder Proença,

Baciro Dabó

E tantos outros.


VII


E a memória ainda está viva

De toda a arbitrariedade

Perpetrada pelo P.A.I.G. C.

Sobretudo com pessoas ilustres e sublimes,

Como Joaquim Baticã Ferreira!


VIII

 Como ser, cujo sangue não é de barata, desejo, no entanto, que a Guiné tivesse um bom rumo, para a paz, solidariedade, confraternidade, convivência pacífica, harmonia entre todos os guineenses.


IX


Sou como vós,

Ou como aqueles que não têm a voz

Junto das instâncias e instituições políticas,

Mas a minha e a vossa palavra

Ouve-se

E lê-se

Por cada letra

E sílaba que alguém soletra

Em silêncio,

Ou em viva voz,

Sem qualquer receio.


X


Como a independência

Não adubou a consciência

E a memória

Dos meus camaradas,

Em todas 

As paradas,

Quando na época, todos gritavam:

Viva a independência,

Viva a liberdade,

Abaixo o colonialismo,

O imperialismo

E a ditadura salazarista!


1-Abutres e macacos

2 – Coitada ( n,dessan, em olofe)


(Por concluir)


PV CITY ( 3ª-FEIRA- 08H20MINUTOS), 24 DE SETEMBRO DE 2013.


KANKAMBAL (NDO)

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