SUOR
SOB O SOL
ARDENTE,
ATÉ AO POENTE,
ATÉ AO PÔR
DO SOL
I
Mescla
Na escura Lala
Onde habita um fula
Que fala
O que djola
Não entende,
Não compreende,
Esconde
A suave
A manha
E artimanha
Que desenvolve
No meio
Bastante feio
Que reflete
O seu subconsciente
Doentio
II
A raiz
Que eu fiz
No meu país,
Que eu quis
Que alguém fosse
Feliz
Como àquele que vive
Em Paris,
Alarga
E apanha
A banha
Interior
Superior
Da montanha
Que rega
Cada ponto da fronteira
Da minha,
De "nha"
Terra.
III
Jogo
Com as ferramentas
Feitas
Pelos poetas
Que dão ao meu umbigo
Uma consciência,
Que sempre anseia
Pela ciência
Que realça,
Enfatiza
A nossa
Humanização
E individualização
Ou personalização.
IV
Nesta
Terra
Do balanta,
Do fula,
Do mandinga,
Do manjaco,
Do mancanha
Do papel,
Do susso,
Do beafada,
Do saraculé,
Do bijagó,
Em cada
Estrada
Buracada,
Emlamada,
O taxista,
Ou candongueiro
Que recusa
Transportar o bideiro
Que pugna
Diariamente
Pelo pão
De cada
Dia,
Sinto um grande pejo
Por tudo o que vejo,
Pelo que o Estado
Ignora,
Despreza,
Menospreza...!
V
Perto
Do porto
De Pindjiguiti,
Senti,
Sinto
Um aperto
Do peito
Pelo sofrimento
De " nha ginti"
Pelo esquecimento
E abandono
Do nosso Governo,
Do nosso Estado,
Vendo a porta
Aberta
Onde vamos apanhar
O barco,
Piroga,
Canoa
Para a antiga capital,
A minha terra natal,
Abandonada
Pelos dirigentes
Políticos!
Terra de miséria,
Onde abunda
A miséria,
E também a miséria
Da minha gente
Que já nada
Sente!
VI
Oh! Se eu pudesse
E fosse
Governante
Desta terra,
Daria
Tudo o que pudesse
Do meu ser
Para que a alegria
Voltasse
A cobrir
Cada fisionomia,
Vendo cada irmão
A sorrir
No fundo
De coração.
VII
O mutismo
No rumo
Onde pego o remo
Em direção ao ninho
Do extremo
Sul da Guiné,
Antes de Cacine,
Me entristece
Como quando alguém
Falece,
Como quando alguém
Desaparece
Misteriosamente
No poente...!
(Contínua)
Bissau, 17 de agosto de 2018.
KK(NDO)

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