quinta-feira, 16 de setembro de 2021

 MAMÃ

 TEIMA

NO QUE AMA


I


Sem ninguém


Para conversar,


Para dialogar,


O único 


Meio


De combater


O silêncio,


É verter 


A tinta 


Sobre o papel 


Branco


Que alivia o fel


Deste homem


Manjaco,


Que a vida finta.


II


O sonho


Tacanho


De Joãozinho


Ao despedir-se 


Do colega “Manelinho”


Rumo 


À Europa,


Continente 


De oportunidade,


Foi para a água 


Abaixo!


O emigrante 


No lixo,


Na copa,


Apanhando a sopa


Da solidariedade


Devido à crise!


III


A mamã 


Está triste,


Porque a vida 


A trama


Em cada


Entrada,


E em cada


Tentativa,


Leva


Sempre uma porrada,


Uma bofetada


Bem quente.


IV


A mamã


Não tem pão


Para as filhas,


Não tem arroz


Para cozinhar


E já não pode sonhar


Como ontem,


Porque já nada tem


E nem


O seu homem


Pode salvá-la


E para sempre cala.


V


Amargurada,


Desempregada,


O semblante


Triste,


A mamã


Não sai 


De cama


E nenhum lado vai,


Porque também 


Não tem


Como fazê-lo.


VI


A mamã 


Que tanto ama,


Faz a prece


Ao que a Providência


Lhe dá


E oferece


Em cada 


Dia,


E do fundo do seu ser,


Agradece


Por continuar a viver.


VII


A mamã


Que muito ama,


Tem sempre uma chama


Que a ilumina


Em cada zona,


A guia


Em cada dia,


Dando-lhe força


E esperança


Para seguir sempre em frente,


Para qualquer combate,


Para todo o embate 


Que a desafia,


E confia


No dia


Mais radiante.


CATUJAL-UNHOS(2ª-FEIRA, 01H40 MINUTOS), 14 DE ABRIL DE 2014.


                     


                                                                    KANKAMBAL(NDO)

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