sexta-feira, 8 de maio de 2026

 NA BARRACA,

A MINHA TOCA,

ESTOU CONDENADO 

A VIVER ETERNAMENTE!


I


Na barca,

Fez-se a barraca

Por falta da banca.

Nela se entronca

E, que às vezes, se choca

Por causa da boca 

Que nos ataca

E nos coloca

Numa encrenca.


II


A Dra Teresa

Teve uma longa conversa

Com os habitantes

Do bairro da Quinta da Serra,

Edificando em todas as condições,

Em todos os trâmites

Da habitabilidade 

Do PER*.


III


Às veze, fico triste 

Por(minha) falta de sorte,

E, consequentemente,

Me impede

De seguir em frente 

À demanda do que me invade.


IV


No salão,

O refilão,

Era o sr Abreu

Que nos surpreende.


V


A minha filha e eu

E demais moradores 

Estivemos pacientemente 

A ouvir e a escutar

Consoante a tipologia 

Que cada um foi atribuída

Pela Câmara de Loures,

Os prós e contras

De aquisição 

Da habilitação 

Própria.


VI


Ó Divina Natureza!

Quanta aputeza

Daquele que diariamente reza

Para se libertar da pobreza,

Da fome e da miséria 

Que o privam da alegria 

E da felicidade 

Nesta sociedade

Já desumanizada

Onde,

Que só abunda

A grande

Desgraça 

Sobretudo da criança!

Minha filha

Quando chegamos a casa,

Entre a cozinha

E a casa 

De banho,

Monólogos, dizendo:

" Sendo assim,

Já depois não poderei 

Comprar a minha própria  casa'"!

Respondi-lhe que não era verdade,

Mas ela ripostou-me categoricamente 

Da sua verdade absoluta.

Triste fiquei 

E também humilhado

Fiquei 

E fui contar 

Isso a Natty,

A minha mulher.

Ela disse-me que eu fiz mal ,

Pois, queria estar presente 

Na altura que estive a falar com a minha filha.

Eu então, expliquei-lhe as razões pelas quais 

A escolhi e humildemente

Pedi.

Toda a noite

Matutei 

E conclui 

Da minha grande desgraça,

Do abismo

Em que tinha chegado

E da forma como sou tratado

Pela própria filha,

Que já nada quer em comum comigo!


Praça da Encarnação Sul ( quarta-feira, 12:35), 07 de fevereiro de 2007.


Mattos (NDO)

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