NA BARRACA,
A MINHA TOCA,
ESTOU CONDENADO
A VIVER ETERNAMENTE!
I
Na barca,
Fez-se a barraca
Por falta da banca.
Nela se entronca
E, que às vezes, se choca
Por causa da boca
Que nos ataca
E nos coloca
Numa encrenca.
II
A Dra Teresa
Teve uma longa conversa
Com os habitantes
Do bairro da Quinta da Serra,
Edificando em todas as condições,
Em todos os trâmites
Da habitabilidade
Do PER*.
III
Às veze, fico triste
Por(minha) falta de sorte,
E, consequentemente,
Me impede
De seguir em frente
À demanda do que me invade.
IV
No salão,
O refilão,
Era o sr Abreu
Que nos surpreende.
V
A minha filha e eu
E demais moradores
Estivemos pacientemente
A ouvir e a escutar
Consoante a tipologia
Que cada um foi atribuída
Pela Câmara de Loures,
Os prós e contras
De aquisição
Da habilitação
Própria.
VI
Ó Divina Natureza!
Quanta aputeza
Daquele que diariamente reza
Para se libertar da pobreza,
Da fome e da miséria
Que o privam da alegria
E da felicidade
Nesta sociedade
Já desumanizada
Onde,
Que só abunda
A grande
Desgraça
Sobretudo da criança!
Minha filha
Quando chegamos a casa,
Entre a cozinha
E a casa
De banho,
Monólogos, dizendo:
" Sendo assim,
Já depois não poderei
Comprar a minha própria casa'"!
Respondi-lhe que não era verdade,
Mas ela ripostou-me categoricamente
Da sua verdade absoluta.
Triste fiquei
E também humilhado
Fiquei
E fui contar
Isso a Natty,
A minha mulher.
Ela disse-me que eu fiz mal ,
Pois, queria estar presente
Na altura que estive a falar com a minha filha.
Eu então, expliquei-lhe as razões pelas quais
A escolhi e humildemente
Pedi.
Toda a noite
Matutei
E conclui
Da minha grande desgraça,
Do abismo
Em que tinha chegado
E da forma como sou tratado
Pela própria filha,
Que já nada quer em comum comigo!
Praça da Encarnação Sul ( quarta-feira, 12:35), 07 de fevereiro de 2007.
Mattos (NDO)

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