sábado, 19 de junho de 2021

 O pano

Estendido no terreno

Plano,

O adorno

Do menino 

Africano!


I


A sorte

De beber

A água da fonte,

Para não morrer

De sede

Num deserto,

Que não fica perto

De um porto

Onde possa mergulhar,

Molhar

O corpo

Do tempo

Seco, quente

Que me asfixia,

Que me rega com lixívia!


II


Obrigado,

Àquele que me tem dado

O azo de ser sortudo,

Vivendo

Neste mundo

Maravilhoso,

Que nos dá o gozo

Imenso

Do usufruto

Do seu encanto!


III


O preto

Que compõe o soneto

Com o seu canto

Bonito

Ou  do seu pranto

Funesto

Em cada espaço e momento,

O eleva,

O salva

Do sofrimento

Infinito!


IV


O branco

Puro

Verídico

E sincero,

Vivendo no seu apartamento,

Procura o preto

Escondido no seu buraco,

No seu cerco

Restrito,

Para estabelecerem

Um Pacto,

A fim de evitarem

O confronto,

O conflito

Físico

E psíquico;

Viverem

Em sintonia

E harmonia!

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