O pano
Estendido no terreno
Plano,
O adorno
Do menino
Africano!
I
A sorte
De beber
A água da fonte,
Para não morrer
De sede
Num deserto,
Que não fica perto
De um porto
Onde possa mergulhar,
Molhar
O corpo
Do tempo
Seco, quente
Que me asfixia,
Que me rega com lixívia!
II
Obrigado,
Àquele que me tem dado
O azo de ser sortudo,
Vivendo
Neste mundo
Maravilhoso,
Que nos dá o gozo
Imenso
Do usufruto
Do seu encanto!
III
O preto
Que compõe o soneto
Com o seu canto
Bonito
Ou do seu pranto
Funesto
Em cada espaço e momento,
O eleva,
O salva
Do sofrimento
Infinito!
IV
O branco
Puro
Verídico
E sincero,
Vivendo no seu apartamento,
Procura o preto
Escondido no seu buraco,
No seu cerco
Restrito,
Para estabelecerem
Um Pacto,
A fim de evitarem
O confronto,
O conflito
Físico
E psíquico;
Viverem
Em sintonia
E harmonia!

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