sábado, 28 de agosto de 2021

 BEBER NA POTE

DA ÁGUA DA FONTE...!


I

Servia 

E bebia

Da água

Que jorra

E brota 

Da fonte

Contígua

De Bandjumpor,

Da cor

Branca e transparente

Naquela encosta

Que outrora

Vivia...!


II


Na manhã 

Serena

Da madrugada, 

Daquela bolanha

Em que cada 

Um pugnava,

Lutava

Pela sina,

Pelo sustentento

Diminuto,

Suficiente

Para cada 

Filhote,

Via-se pessoas 

De várias 

Idades atarefadas

Pelas lidas

Imensas

E diversas.


III


As crianças

Ocupavam-se de vigiar

Os arrozais

Ou de pastorar

 O gado,

Sentados num grande arvoredo ,

Mostravam,

Demonstravam 

As suas habilidades e suas graças.


IV


Lembro-me de "batuche"(1)

Que nos permitia trocar

Com mancarra(amendoim)

Nas aldeias contíguas,

Que depois ferviámos,

Torrávamos

Ou assávamos

E por fim, comíamos 

Deliciosamente!

Oh! O tempo de antigamente!

Éramos 

Rapazes 

E raparigas muito felizes!


V


Oh! Que bom ter a memória

Daquele tempo

Longínquo 

Da infância, 

Da adolescência!

As férias 

Do Natal,

Da Páscoa,

As férias 

Grandes,

Que  endiabravam

E enfeitiçavam

As pequenadas nas tabancas

Daquelas

Vilas,

Naquelas,

Daquelas 

Épocas!!!


VI


Oh que diferença

Abismal

Entre a criança

Daquela época

Em cada tabanca 

Com o tempo atual,

Em que tudo 

Gira,

Tudo

Se encerra

À volta do virtual!

Tudo

Circunscrito 

Tudo 

Fechado,

Cada qual

No seu mundo, 

Na sua hermética

Concha,

Cada um se fecha,

Relacionando 

Com o desconhecido,

Esquecendo 

Aquele(ou aquela) que está perto,

Que está ao redor,

Omitindo 

O amor 

Genuíno,

Ameno,

O mundo 

Em que ninguém 

Toca

Ninguém;

Em que ninguém 

Fala 

Ninguém, 

Mesmo estando

Na mesma sala,

No mesmo quarto

Ou na mesma

Cama...!


VII


Oh! A pote

Da minha fonte

D,outrora,

Naquela terra 

Tão distante !

A água que dela bebia

Ou que alguém me servia

Na caneca,

Naquela tabanca!

Tão doce,

Que fazia resplandescer 

E rejuvenescer 

A minha ténue 

Face,

Naquela suoerfície!


VIII 


Oh! Se me lembro 

Ainda o dobro

Que ainda existe 

No meu cérebro, 

Na minha mente!


1. Resto do arroz que fica por apanhar/colher. 


(Continua )


Stamford Hill ( friday, 11 p.m.), 27th August 2021.


                                                               KK NDO)

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