BEBER NA POTE
DA ÁGUA DA FONTE...!
I
Servia
E bebia
Da água
Que jorra
E brota
Da fonte
Contígua
De Bandjumpor,
Da cor
Branca e transparente
Naquela encosta
Que outrora
Vivia...!
II
Na manhã
Serena
Da madrugada,
Daquela bolanha
Em que cada
Um pugnava,
Lutava
Pela sina,
Pelo sustentento
Diminuto,
Suficiente
Para cada
Filhote,
Via-se pessoas
De várias
Idades atarefadas
Pelas lidas
Imensas
E diversas.
III
As crianças
Ocupavam-se de vigiar
Os arrozais
Ou de pastorar
O gado,
Sentados num grande arvoredo ,
Mostravam,
Demonstravam
As suas habilidades e suas graças.
IV
Lembro-me de "batuche"(1)
Que nos permitia trocar
Com mancarra(amendoim)
Nas aldeias contíguas,
Que depois ferviámos,
Torrávamos
Ou assávamos
E por fim, comíamos
Deliciosamente!
Oh! O tempo de antigamente!
Éramos
Rapazes
E raparigas muito felizes!
V
Oh! Que bom ter a memória
Daquele tempo
Longínquo
Da infância,
Da adolescência!
As férias
Do Natal,
Da Páscoa,
As férias
Grandes,
Que endiabravam
E enfeitiçavam
As pequenadas nas tabancas
Daquelas
Vilas,
Naquelas,
Daquelas
Épocas!!!
VI
Oh que diferença
Abismal
Entre a criança
Daquela época
Em cada tabanca
Com o tempo atual,
Em que tudo
Gira,
Tudo
Se encerra
À volta do virtual!
Tudo
Circunscrito
Tudo
Fechado,
Cada qual
No seu mundo,
Na sua hermética
Concha,
Cada um se fecha,
Relacionando
Com o desconhecido,
Esquecendo
Aquele(ou aquela) que está perto,
Que está ao redor,
Omitindo
O amor
Genuíno,
Ameno,
O mundo
Em que ninguém
Toca
Ninguém;
Em que ninguém
Fala
Ninguém,
Mesmo estando
Na mesma sala,
No mesmo quarto
Ou na mesma
Cama...!
VII
Oh! A pote
Da minha fonte
D,outrora,
Naquela terra
Tão distante !
A água que dela bebia
Ou que alguém me servia
Na caneca,
Naquela tabanca!
Tão doce,
Que fazia resplandescer
E rejuvenescer
A minha ténue
Face,
Naquela suoerfície!
VIII
Oh! Se me lembro
Ainda o dobro
Que ainda existe
No meu cérebro,
Na minha mente!
1. Resto do arroz que fica por apanhar/colher.
(Continua )
Stamford Hill ( friday, 11 p.m.), 27th August 2021.
KK NDO)

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