A SAUDADE
VEM
DA INTENSIDADE
DE QUEM
EFETIVAMENTE AMA
A SUA DAMA
I
Nesta parte,
Falta
A caricatura
Fascinante
Da minha senhora,
Àquela
Criatura
Bela
Que me ensinara
E me dera
O prazer
De aprender
A escrever
Naquela altura
Na minha terra.
II
A sua desenvoltura
É descomunal,
É fora
Do normal
Numa cidade
Pequenina
Em que cada notícia
Que se veicula,
Circula,
Pulula
E se expande
De uma forma lenta,
Pacata
E fictícia,
Para uma preta
Irrequieta,
Humilde
De origem,
Que vem
De uma família
Humilde,
Que não vem
Duma linhagem
Fina,
Abastada
E endinheirada.
III
O destino
Anexou
Este menino
A uma futura
Doutora,
Que tanto
Batalhou
Para chegar a esse ponto,
A esse título
Que conquistou
Com muito
Mérito,
Que ganhou
À custa de muito
Calo.
IV
Falo
Da saudade
Da (minha) Nactividade,
" Cavalo
Branco"
Deste manjaco
Na terra
Do branco,
Que Quinara
Gerara
De forma genial
Antes da guerra
Colonial.
V
Se fosse artista,
Se fosse músico,
Cantaria
Cada estrofe
Do manjaco
Que queria
Ser poeta,
Para apregoar
A alegria
E denunciar
De todo o meu bofe,
A miséria,
A crueldade
E a maldade
De cada
Sociedade
E de toda
A humanidade.
VI
O meu desejo,
Era o de aproveitar
O (cada) ensejo
E solicitar
O empréstimo
Da garganta
De um artista,
De um músico,
Para entoar
Um(o) cântico
Poético,
Lírico
E de patriotismo.
VII
A palavra
Saudade
Não se pronuncia
De ânimo leve,
Com
Mas sim, de uma forma suave,
Com leviandade,
Porque não é uma palavra
Vazia,
Porque ela encerra
Algo
Profundo
Que vem do âmago,
Do fundo
De um ser
Que tem
Sentimentos,
De um ser
Que tem
Gostos
E afetos
Por outros sujeitos,
Por outros postos
E por outros pontos.
IX
Essa
Dama
Se chama
Nactividade
Cassama,
Minha esposa,
Agora
Na terra
Da Sua Majestade,
Inglaterra;
A saudade
Que tritura
Este filho de Quinara,
De Kantoma
E de Bolama.
PÓVOA DE SANTO ADRIÃO (SÁBADO, 12 HORAS), 08/08/2015.
KANKAMBALL (NDO)

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