COMO CALAR?
COMO NÃO FALAR?!
I
Não escrever
É fazer
Perecer
Um ser
Que quer
Viver...
II
Resisto
A tentação
De passar
Um dia
Sem escrever...
Mas, quão
Difícil
Suportar,
Aguentar
Esse peso
Tão pesado,
Imenso
Que pode esmagar
Os meus frágeis
Ombros
Por tanto
Carregar
Ao longo dos anos...!
III
Calar
E não acrescentar
Nada
Nesta vida,
Em que se esbarra
Em cada
Segundo,
Em cada
Minuto,
Em cada hora,
Em cada
Mês,
Em cada
Ano,
Em cada
Seculo,
E nada
Falar
E ficar
E quieto
Como um busto
Numa praça
Povoada
De monstro
De rosto
Humano
Sem piedade
Sem condescendência
E paciência
Para consigo
Mesmo,
Nem com o amigo,
Ou com o próximo,
É contribuir
Para a degradação
Cada vez mais
Da consciência
Humana
Em cada país,
Em cada nação,
Em cada sociedade,
E caminhar-se para a senda
Da putrefação...!
IV
Falar
E não se calar,
Para denunciar
Os males
Daqueles
Que nos levam à crise,
À falência,
À ruína,
Ao escândalo ,
Ao pesadelo
Do século,
Ao incrédulo
Monótono
Do humano
Desumano,
Que só pensa em si,
No seu umbigo
E esquece o amigo,
Sobretudo
Aquele sem-abrigo
Que nada tem,
Senão do frio,
Da chuva,
Do sol ardente,
Da manta
Nojenta
Suja,
Senão
DO pão
Da piedade,
Piedade
Daqueles
Que ainda têm corações
Humanos,
De instituições
De caridade,
Da misericórdia
Em cada dia.
V
O artista
Não pode calar-se,
Não pode contentar-se
Com migalhas,
De palhas
Que vêm de alguns pontos,
De alguns cantos
Remotos,
Que, de quando
Em vez,
"Chovem"
Para matar a fome
E sempre com sede
Do amor,
Da paz,
Do consolo,
Do colo,
Do apelo
De solidariedade,
De igualdade,
Da liberdade,
É do "Bazuca"
Que vem da Europa...!
(Continua)
BRANDOA (Amadora, sábado, 05:25), 16 de outubro de 2021.
KK (NDO)

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