domingo, 24 de outubro de 2021

 UM MANJACO

MELANCÓLICO

SENTADO NUM BANCO


I


Quando os olhos perscrutam

Cenas tristes

E dolorosas

Do dia

A dia,

O sujeito proprietário,

Torna-se solidário.


II


A solidariedade 

Pela precaridade

Da condição humana,

É imperiosa

Para cada cidadão

Na sua acção 

Quotidiana.


III


Distraído,

Para não dizer,

Absorto

Em pensamentos

Remotos,

O cidadão universal

Não foi indeferente

Ao que os seus olhos

Observam

Nas ruas,

Onde diariamente

Passa.


IV


Em sacavém,

Esse homem

Vai e vem

Na sua viagem

E em cada paragem,

Obtém 

Uma imagem

Negativa de quem

Nada tem.


V


Sentado

Ou debruçado

Num dado 

Feudo

Desconhecido,

O transeunte é "bombardeado"

Por tudo 

O que é incómodo,

Por tudo

O que é horrendo,

Vencendo 

Sempre um corpo debilitado,

Um corpo enfraquecido.


VI


A crise 

Empurra cada cidadão

Para a entorse,

Quando nem sequer um grão

Lhe aparece

À visão,

Porque não dorme,

Devido a fome.


VII


No jardim,

Sentado num banco,

Desprovido quase de nenhum fim,

O manjaco

Melancólico, 

Inerte 

Como um manequim,

Sente-se um desnorte, 

Sente-se impotente

No seu semblante.


VIII


Em quase todas as cidades

Do mundo,

São patentes  as capacidades

Dos filhos de Canchungo ou de Pelundo,

Demonstrando as suas genialidades

O tão profundo,

Sobretudo nos seus empenhos e combates

Em todas as frentes.


IX


Às vezes, é preferível

Não observar o pormenor

Do quão nos apresenta ao redor,

Para não se sentir culpável

E incapaz

Perante o que a visão nos traz

Defronte,

Em cada instante.


 PV CITY(2ª- FEIRA, 10H48), 22 DE OUTUBRO DE 2012.


                                                      MATTOS (NDO)

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