quarta-feira, 27 de outubro de 2021

 O que  há  um ano

Refleti

E escrevi;


NINGUÉM

TEM

NINGUÉM...!


I


Sofregadamente

Transporto

 Na minha mente

O sofrimento

De quem realmente

Sente,

De quem

Realmente

Consente.


II


O correlário

Do tanto interrogatório

Que culmina depois do calvário

No próprio

Purgatório.


III


Noctívago

Como morcego,

Anelo há já período longo,

Eu me navego

Cada vez mais em perigo,

Nunca sei 

O que carrego,

Nunca sei

O que trago,

Mesmo estando no mesmo umbigo!


IV


A tudo,

Neguei,

A tudo

Larguei,

A tudo

Abandonei,

Pelo que amei,

De tudo

O que guardei...!


V


As portas 

Estarão fechadas,

As hipóteses

Serão diminutas,

Diminuidas,

Quando as intenções

Forem abortadas...!


VI


Na hora da ponte

Em direcção ao poente,

Desfilar-se-ão

As minhas beldades;

Zombar-me-ão

Com veementes crueldades


VII


Na hora

Da despedida,

A voz cândida,

A voz mais

Romântica,

Entoará

A música

Que o coração mais

Deseja,

Que o ensejo forja!


VIII


De popa

Em popa,

Os ventos da Europa,

Exigem nova roupa,

Gabardine ou capa,

Seja qual for 

A napa,

Para melhor

Puder 

Ver

O mapa.


IX


Airosamente

Se sobe,

Mas, estrondosamente

Se desce

Quando se

 Pretende a posse,

Ou algo mais doce.


X


Para quem ama,

Não é só a cama,

É a própria alma

Que nos filma,

Que nos aprisiona e nos chama,

Nos dá outro aroma.


XI


Longe ou perto,

O mesmo aspecto

Tem diferente gosto,

Tem um outro apetite,

Uma interpretação diferente

Consoante

O pensamento.


XII


A paciência

É a experiência

Da ambiência

Para a própria

Sobrevivência;

A sua inexistência,

É o fim da existência.


XIII


O que sonhava,

Já nada existe;

Tudo 

É falso,

Tudo 

É um embuste,

Porque tudo

Já não me salva,

Senão o sumiço.


XIV


Alguém

Se submete,

Alguém

Consente,

A aventura que se comete

Por(Ao) outro semelhante,

Que, mesmo estando ciente,

De novo, se repete.


XV


Valerá  pena sofrer?

Sofrer

Até morrer?

Eu não sei responder,

Enquanto depende

Desta criatura que vi crescer!


XVI


O mundo é assim,

Até so seu fim!

É o engano

Que cada fulano,

Cada beltrano,

Faz em cada ano.


XVII


Peço 

Perdão,

Pois,

Posso

Não ter razão.

Não é nenhuma decisão

Esta minha alusão,

Esta minha ilusão;

É apenas a suposição,

Que é próprio do coração.


XVIII


A ti, amo,

A ti temo

Não ter mais amo,

Não ter mais rumo;

Cair em desânimo

E nunca mais me arrumo!


XIX


És a minha deusa!;

És a última coisa

Que me resta e me pesa!

És a esperança

Que em mim, repousa!

És a beleza

E a minha força!!!


Queluz(sexta-feira), 07/05/1999.


                                 Mattos(NDO)

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