O que há um ano
Refleti
E escrevi;
NINGUÉM
TEM
NINGUÉM...!
I
Sofregadamente
Transporto
Na minha mente
O sofrimento
De quem realmente
Sente,
De quem
Realmente
Consente.
II
O correlário
Do tanto interrogatório
Que culmina depois do calvário
No próprio
Purgatório.
III
Noctívago
Como morcego,
Anelo há já período longo,
Eu me navego
Cada vez mais em perigo,
Nunca sei
O que carrego,
Nunca sei
O que trago,
Mesmo estando no mesmo umbigo!
IV
A tudo,
Neguei,
A tudo
Larguei,
A tudo
Abandonei,
Pelo que amei,
De tudo
O que guardei...!
V
As portas
Estarão fechadas,
As hipóteses
Serão diminutas,
Diminuidas,
Quando as intenções
Forem abortadas...!
VI
Na hora da ponte
Em direcção ao poente,
Desfilar-se-ão
As minhas beldades;
Zombar-me-ão
Com veementes crueldades
VII
Na hora
Da despedida,
A voz cândida,
A voz mais
Romântica,
Entoará
A música
Que o coração mais
Deseja,
Que o ensejo forja!
VIII
De popa
Em popa,
Os ventos da Europa,
Exigem nova roupa,
Gabardine ou capa,
Seja qual for
A napa,
Para melhor
Puder
Ver
O mapa.
IX
Airosamente
Se sobe,
Mas, estrondosamente
Se desce
Quando se
Pretende a posse,
Ou algo mais doce.
X
Para quem ama,
Não é só a cama,
É a própria alma
Que nos filma,
Que nos aprisiona e nos chama,
Nos dá outro aroma.
XI
Longe ou perto,
O mesmo aspecto
Tem diferente gosto,
Tem um outro apetite,
Uma interpretação diferente
Consoante
O pensamento.
XII
A paciência
É a experiência
Da ambiência
Para a própria
Sobrevivência;
A sua inexistência,
É o fim da existência.
XIII
O que sonhava,
Já nada existe;
Tudo
É falso,
Tudo
É um embuste,
Porque tudo
Já não me salva,
Senão o sumiço.
XIV
Alguém
Se submete,
Alguém
Consente,
A aventura que se comete
Por(Ao) outro semelhante,
Que, mesmo estando ciente,
De novo, se repete.
XV
Valerá pena sofrer?
Sofrer
Até morrer?
Eu não sei responder,
Enquanto depende
Desta criatura que vi crescer!
XVI
O mundo é assim,
Até so seu fim!
É o engano
Que cada fulano,
Cada beltrano,
Faz em cada ano.
XVII
Peço
Perdão,
Pois,
Posso
Não ter razão.
Não é nenhuma decisão
Esta minha alusão,
Esta minha ilusão;
É apenas a suposição,
Que é próprio do coração.
XVIII
A ti, amo,
A ti temo
Não ter mais amo,
Não ter mais rumo;
Cair em desânimo
E nunca mais me arrumo!
XIX
És a minha deusa!;
És a última coisa
Que me resta e me pesa!
És a esperança
Que em mim, repousa!
És a beleza
E a minha força!!!
Queluz(sexta-feira), 07/05/1999.
Mattos(NDO)

Sem comentários:
Enviar um comentário