quarta-feira, 20 de outubro de 2021

 A CRIANÇA

 SEM ESPERANÇA


I


Seguindo o caminho longo

Procuro  em cada canto

Uma criança 

Que não tenha consolo,

Nem tão pouco 

O colo,

Nem um buraco 

Digno 

DO humano,

Que não tenha esperança,

Andando em cada rua 

De Lisboa

À demanda

Da comida

No lixo

Que os senhores do luxo

Deitaram

E esqueceram

Os meninos 

Que já não têm donos...


II


Eu, preocupado,

Mas desempregado,

Não tenho modo

De os apoiar,

De os ajudar

Num pão

Que não

Têm,

Que não

Possuem!


III


No entanto,

Não desisto...

Tenho a esperança

 E força 

De continuar a seguir

Cada criança

Desamparada,

Abandonada

Nas barracas,

Nas tocas

Do nosso País

Que não têm pais.!


 PV CITY, 19 DE OUTUBRO DE 2012.


                               MATTOS (NDO)

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