A CRIANÇA
SEM ESPERANÇA
I
Seguindo o caminho longo
Procuro em cada canto
Uma criança
Que não tenha consolo,
Nem tão pouco
O colo,
Nem um buraco
Digno
DO humano,
Que não tenha esperança,
Andando em cada rua
De Lisboa
À demanda
Da comida
No lixo
Que os senhores do luxo
Deitaram
E esqueceram
Os meninos
Que já não têm donos...
II
Eu, preocupado,
Mas desempregado,
Não tenho modo
De os apoiar,
De os ajudar
Num pão
Que não
Têm,
Que não
Possuem!
III
No entanto,
Não desisto...
Tenho a esperança
E força
De continuar a seguir
Cada criança
Desamparada,
Abandonada
Nas barracas,
Nas tocas
Do nosso País
Que não têm pais.!
PV CITY, 19 DE OUTUBRO DE 2012.
MATTOS (NDO)

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