A ARESTA
QUE ME RESTA
I
"Chutado "
Pela mulher,
Pela família,
Pela vida
Em Lisboa,
Em Bissau,
Em Bolama,
Vim parar nesta
Cidade
Tão recôndita
De Freamunde,
No Norte de Portugal,
Vivendo quase como um marginal.
II
Trabalho
Como um burro,
Como um escravo,
Como um preto,
Que, por coincidência
Sou,
Mas nada tenho.
III
(...)
IV
Eu não quero
Ser
Uma compaixão,
Mas uma paixão
Como uma brasa
Que nunca apaga,
Senão por uma grande praga.
Eu não quero
Ser
Um zé ninguém,
Mas simplesmente um homem
Com carácter.
V
Hoje,
Longe
Do tempo
Longínquo,
Sou um indivíduo
De corpo
Frouxo
Como um lixo
E de mente
Débil e decadente.
VI
(...)
VII
(...)
VIII
Hoje,
Com o ultraje
Da minha esposa,
Toda a gente me despreza,
Toda a gente me pisa
E me vê como uma trouxa,
Que não deve entrar em nenhuma faixa.
IX
O gozo,
O menosprezo
É tanto,
Que já não me sinto
Como um ser humano
Digno
Deste "terreno".
FREAMUNDE (PAÇOS DE FERREIRA-DO-13H45M ), 09/06/2013.
KANKAMBAL (NDO)

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