terça-feira, 15 de junho de 2021

 MAMà                                        TEIMA

 NO QUE AMA


I


Sem ninguém

Para conversar,

Para dialogar,

O único 

Meio

De combater

O silêncio,

É verter 

A tinta 

Sobre o papel 

Branco

Que alivia o fel

Deste homem

Manjaco,

Que a vida finta.


II


O sonho

Tacanho

De Joãozinho

Ao despedir-se 

Do colega “Manelinho”

Rumo 

À Europa,

Continente 

De oportunidade,

Foi para a água 

Abaixo!

O emigrante 

No lixo,

Na copa,

Apanhando a sopa

Da solidariedade

Devido à crise!


III


A mamã 

Está triste,

Porque a vida 

A trama

Em cada

Entrada,

E em cada

Tentativa,

Leva

Sempre uma porrada,

Uma bofetada

Bem quente.


IV


A mamã

Não tem pão

Para as filhas,

Não tem arroz

Para cozinhar

E já não pode sonhar

Como ontem,

Porque já nada tem

E nem

O seu homem

Pode salvá-la

E para sempre cala.


V


Amargurada,

Desempregada,

O semblante

Triste,

A mamã

Não sai 

De cama

E nenhum lado vai,

Porque também 

Não tem

Como fazê-lo.


VI

A mamã 

Que tanto ama,

Faz a prece

Ao que a Providência

Lhe dá

E oferece

Em cada 

Dia,

E do fundo do seu ser,

Agradece

Por continuar a viver.


VII


A mamã

Que muito ama,

Tem sempre uma chama

Que a ilumina

Em cada zona,

A guia

Em cada dia,

Dando-lhe força

E esperança

Para seguir sempre em frente,

Para qualquer combate,

Para todo o embate 

Que a desafia,

E confia

No dia

Mais radiante.


CATUJAL-UNHOS(2ª-FEIRA, 01H40 MINUTOS), 14 DE ABRIL DE 2014.


                     

                                                                    KANKAMBAL(NDO)

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