quarta-feira, 9 de junho de 2021

 A ARESTA

QUE ME RESTA


                        

I


"Chutado "

Pela mulher,

Pela família,

Pela vida

Em Lisboa,

Em Bissau,

Em Bolama,

Vim parar nesta

Cidade

Tão recôndita

De Freamunde,

No Norte de Portugal,

Vivendo quase como um marginal.


II


Trabalho

Como um burro,

Como um escravo,

Como um preto,

Que, por coincidência

Sou,

Mas nada tenho.


III

(...)


IV


Eu não quero

Ser

Uma compaixão,

Mas uma paixão

Como uma brasa

Que nunca apaga,

Senão por uma grande praga.

Eu não quero

Ser

Um zé  ninguém,

Mas simplesmente um homem

Com carácter.


V


Hoje,

Longe

Do tempo

Longínquo,

Sou um indivíduo

De corpo

Frouxo

Como um lixo

E de mente

Débil e decadente.


VI


(...)


VII

(...)


VIII


Hoje,

Com o ultraje

Da minha esposa,

Toda a gente me despreza,

Toda a gente me pisa

E me vê como uma trouxa,

Que não deve entrar em nenhuma faixa.


IX


O gozo,

O menosprezo

É tanto,

Que já não me sinto

Como um ser humano

Digno

Deste "terreno".


FREAMUNDE (PAÇOS DE FERREIRA-DO-13H45M ), 09/06/2013.


                                            KANKAMBAL (NDO)

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