A FLECHA
MANCHA
A MINHA MARCHA...
I
O meu irmão,
Um homem de grande coração,
Que amou com um amor
Sem cor,
Tinha muitos filhos
Muitos sobrinhos
Que ajudavam/ajudaram nos trabalhos
Da sua horta
Naquela ponta
Chamada São
João.
II
O amor,
O respeito,
A disciplina,
A ordem
E a convivência
De todos
Os membros
Da sua família,
Constituia
O seu lema,
Colocado em cima.
III
Após a sua partida
Para a outra banda,
Deixou
De existir
A convergência ;
Começou
A surgir
A divergência
No seio da família!
Agora, é a polícia
Que impõe a convergência,
A União
Sob um um abanão
De um bastião!
IV
Que pena
A emigração
Que nos depena,
Que nos condena
Numa zona
Bem longínqua e sem sina!
Quem destrona
A horta
Daquela ponta
Naquela floreta
De São
João?!
O que possp fazer,
Para trazer
A paz e a União,
A harmonia
E o entendimento
Entre os filhos,
Irmãos,
Sobrinhos
Do senhor
Ernesto,
Que apenas respirava o amor
Para com os seus próximos
Ao redor?
V
Alguém
Oiçou atirar uma flecha
Sobre a nossa marcha,
Com o objetivo da sua mancha,
Bem como o bom nome
Da família,
Denegrir a imagem
Daquele santo
Homem,
Chamado Ernesto!
VI
Sinto-me muito triste
No início desta noite,
Com esta notícia
Que caiu como uma bomba!
VII
Que pena,
Que a menina,
Gerada numa família nobre
E humilde,
Tenha um comportamento
Tão audaz,
Até ao ponto de denunciar
O proprio tio à autoridade,
A fim de reivindicar
A sua parte
Numa propriedade comunitária!
VIII
Não,
Não,
E não!
A nossa tradição
Não aceita esta repartição,
Esta divisão!
A propriedade
Do Ernesto
É a propriedade
Comum,
Familiar,
De todos e de conjunto!
Não pode ser entendido
E interpretado
À luz da lei atual,
Porque é um direito Consuetudinário,
Comunitário!
IX
A propriedade
Tida como a do Ernesto,
É uma propriedade
De todos os membros
Da família
Que viviam com ele,
Como pai,
Como o irmão mais velho,
Como o tio
E como tal, trabalhavam em conjunto!
(Continua)
Brandoa(10:00, SEGUNDA-FEIRA), 01 de março de 2021.
KK IOIÓ(NDO)

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