COMO O TEMPO
PASSA
TÃO DEPRESSA
E ARRASA
O NOSSO CORPO!
I
E duro
O choro
Sem nenhum socorro,
Nem tão pouco o amparo
Do mundo inteiro
E nem sequer um pequeno reparo
Por esse grande desespero
De um povo que só tem o faro
Do tiro
Como o louro,
O tesouro
Do mensageiro
Vindo do estrangeiro.
II
As noites
Pungentes,
Tristes
Mesmo reluzentes,
Estão sempre indecentes
Com vestes
Trajes brilhantes,
Para estabelecer cortes
Entre os presentes
E os que estão muito distantes
Das suas gentes...
III
As noites
Das mentes
Em constantes
Delírios,
Sejam quais forem os sítios,
Quentes
Ou frios
Em que se encontram,
A sua principal
Preocupação
É sua terra natal,
E, por consequência,
Têm a consciência
Da sua NAÇÃO
Pelo que nunca se sossegam!
IV
O sono
Vai
E vem,
Chamemo-lo
fulano
Ou beltrano,
Como quem
Trai
Alguém,
O seu pai
Ou seu mano,
Pelo
Que nunca está tranquilo,
Porque o seu espírito
Faz o apelo
Ao arrependimento...
V
O tempo
De um tipo
Que vem do campo
E pretende chegar ao topo
Trajado apenas com um trapo,
Aquele que não tem nenhum papo
Sobre o que é sujo ou limpo...
VI
O tempo,
O amigo,
O inimigo
Que nos lança
Para a pujança
Ou para a desgraça
Da caminhada,
Da vida,
É o fenómeno
Humano
Que não nos dá
Trégua
Por mais míngua
Que seja a falha
Em que se trabalha...
Por concluir
BRANDOA (sábado, 5:23), 06/03/2021.
KK IOIÓ(NDO)

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