QUEM TOPA
UM AFRICANO
NA EUROPA
COMO UM CLANDESTINO?!
I
No momento
Exato
Em que se atravessa
A fronteira
Da tua terra,
Emigrando
Para
Uma outra,
A questão que se coloca:
- Por que se troca
A tua terra,
A sua pátria
Por uma outra,
Deixando
A tua família?!
Qual é a guisa?!
II
Um emigrante
Que parte
Para um horizonte
Mais estimulante,
Mais apelativo
O faz com um objetivo
Bem definido,
Claro,
Certo,
Estando,
Porém,
Consciente
Dos atropelos,
Dos obstáculos
Que tem
Pelo caminho,
A fim de alcançar o sonho
Já há muito traçado
Desde o nascimento,
Ainda que tudo seja escuro,
Dessconhecido
E ignoto.
III
Um africano
Que trepa,
Que ultrapassa
O seu mundo
Fechado,
O seu mundo
Restrito
E vai à procura
Do que mais lhe interessa,
Um outro
Encontro
Em que depara
Outras
Culturas
Diferentes
Das da sua terra,
Com outras
Mentes,
Amplia o seu próprio rosto!
IV
A escrita
Que me encanta,
Que me excita,
Que me desperta
Da caminhada lenta,
Que me levanta
Da manta,
Da coberta
Na época friorenta
E me exorta
Para os problemas
D, outras almas
Que enfrentam outros traumas
No seu dia
A dia
Da sociedade
E de toda a humanidade!
V
Um entrave
Grave
Que leve
À greve
E teve
Já repercussões
Nas avaliações
Do terceiro período
Ontem iniciado
Pelos professores
Descontentes
Com os ares
Arrogantes
Dos nossos dirigentes
Políticos
Que pretendem,
Que querem
Levar,
Atirar
Os professores
Para outros buracos
Ainda mais
profundos!
E, aí, ficarão ainda mais
Congelados !!!
VI
Descongelação
Da congelação
Dos profissionais da Educação,
Leva à união
De todos os professores
Para uma luta comum,
Para um objetivo comum:
A dignidade
Na carreira
Docente!
VII
O navegar
Pelo imenso
Oceano
Atlântico,
Cada africano,
Deixa
Para atrás
O seu país,
A sua família
Em vigília
Enquanto
Não atravessar
O pântano
Do Mar
Mediterrâneo
Faminto
Que engole cada conterrâneo...
VIII
Oh! Tudo
O que inquieta
O Sr NDO
Que quer
Ser
Poeta,
Mas não sabe
Escrever!
Tenta,
Tenta
Atingir,
Conseguir
A ponta
Mais alta
Daquele que pinta
As letras,
As palavras,
Porque não compreende,
Porque está
Longe
Da longitude,
Da latitude,
(E)Nem atinge
O auge!!!
IX
Em cada minuto,
Em cada pausa,
Procuro
Uma caneta,
Uma folha,
Um caderno
Ou um bloco
E tomo
Nota
Como
O poeta
Quando
Pensa
E trabalha
Sobre um determinado
Assunto
Complicado,
Austero,
Autêntico
Para o bem
Do homem,
Para o bem
Humano.
X
A escrita
Nega,
Rasga
O que me atormenta,
E assim raspa
O que não dissipa
Na mente
Deste
Emigrante
Na Europa!
XI
A escrita
É a( minha) sopa
Que abre
O apetite
De quem sente
Uma imensa Responsabilidade
Na sociedade
Em que se insere
E não se verga,
Não se curva
Perante
Qualquer dificuldade!
À sua volta
Ou a sua frente!
(Continua)
Queluz ( Escola Secundária Padre Alberto Neto, terça feira, 10h36 m), 19/06/2018.
KK(NDO)

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