domingo, 25 de julho de 2021

 CUTUM  MADINA


I


A cada esquina,

No Bairro

 De Cutum Madina(Medina?),

Me deparo

Com um buraco,

Há sempre um espaço oco,

Onde arduamente,

Labutam os homens, mesmo sem horizonte.


II


Nos rostos das pessoas,

Nada nos transparece risonho!

Já não há gamboas,

Porque o Estado está morto

E o povo está faminto!


III


As greves sindicais,

(Será que existem?!)

Assolam o país.

Tudo 

Está paralisado,

Nada está definido.

Os grandes 

Estão indiferentes

De tantas mortes,

De tantas calamidades

Dos inocentes!!


IV


Os ministros,

São os maestros;

Os secretários,

São os larápios;

Os directores 

São os abutres!


V


Aqui, tudo

 Está quase podre!

Acomoda-se com o compadre,

Porque a própria mulher é comadre!

Porque num Estado

De putrefacção,

É inevitável a corrupção!


VI


O taxista,

O “candonguista”,

O carteirista ,

O  de “toca-toca”, o legalista

Motorista,

O “bideiro”,

O pedreiro,

Ou o carpinteiro,

Todos estão contentes,

Porque não há controlo nas fontes,

E os outros, estão tristes!!!


VII


Não têm 

Pão,

Porque não lhes dão 

O que realmente têm,

Porque à custa deles, se divertem

Como os nobres da Idade Média,

Que não se preocupavam com o seu dia -

- A - dia.


VIII


Têm 

Bons carros,

Têm

Boas e bonitas

Mulheres,

“Casa um, casa dois, casa três”.

Não sabem 

Se os produtos são caros.

Têm

Fartas

Mesas

E têm

Esperanças, 

Porque pensam serem

Donos 

E gestores 

(Eternos)

Desta nossa querida terra

Até a sepultura!!!!


IX


Aí, minha Guiné!

Continuas a ser Néné (“néné”)!

Com a tua fama,

Retribuis 

Como país,

“Djarama”

Aos que te lembram 

E sempre te ajudam,

Acompanham

Onde moram!!!


X


Em nome da estabilidade,

Enterraste 

O peso.

Em nome da prosperidade,

Puseste 

Em circulação, o franco forte

E coeso,

Que substitui os habituais milhões,

Que apenas alimentavam ilusões!


XI


Percorri 

Ruas

E ruas,

Mas nada vi

E nada encontrei.

Apenas misérias, 

Vendo homens com” zum-

-Zum”,

O refúgio

Que se torna vício.

Pelo que copiosamente, chorei.

Chorei

Devido a indiferença 

De tanta pobreza

Na ignota massa!

Chorei,

Pelos ventres 

Famintos

Por causa 

Dos abutres;

Chorei, 

Pelos desempregados hirtos

E com tantos

E tantos

Vómitos!!!

E regressei

À terra

Que o destino

Me empurrara

Sem aceno;

Regressei

A Lisboa

Com muita mágoa!

Guiné, terra

“pequenino”

Mas “garande” na fama”

Que já não tem alma;

Guiné,

Terra “sabi”,

Mas que deixou o”nantubi”

Decepcionado

E magoado

Pelo seu lastimável estado.


( POESIA POR CONCLUIR)


CUTUM MADINA, EM BISSAU(6ª-FEIRA), 22 DE AGOSTO DE 1997.


                        MATTOS (NDO)

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