domingo, 25 de julho de 2021

 O QUERER

SER

O ESPELHO

DE CADA FILHO


I


A culpa

Tem 

Sempre uma capa,

Sempre trepa

Em alguém

E ninguém

Escapa,

Esteja na Europa,

Na Ásia, na América,

Ou em África.


II


Eu queria ser

O retrato,

O retrato,

O ponto

Essencial de referência

Pela vivência,

Pela minha experiência

Para os meus filhos,

Para vários trilhos!

Mas nem sempre os nossos anseios 

Como pais são aceites

Pelos mais novos,

Pois, têm outros valores

Que não coadunam 

Com os dos seus progenitores.


III

Mas o desejo,

Muitas das vezes, esbarra-se com o pejo;

A grande aspiração,

Nem sempre corresponde

A realidade.

Contudo, sou um sonhador,

Continuo a sonhar,

Porque quem sonha,

Verdadeiramente caminha.


IV

Eu queria 

Que os meus filhos lutassem

Com dignidade;

Fossem 

Mais longe

Do que eu estou 

E sou 

Hoje,

Nesta sociedade

E que abominassem

A miséria.


V

Cada um 

Deve ser

O que efetivamente é

E não o que os outros quisessem 

Que fosse.

No entanto, há um ponto fulcral

Que todos os seres reconhecem:

O bem e o mal.


VI

Cada filho,

Deve pegar na peneira,

Separa

O joio do milho,

Pesquisa a cegueira

Do pai ao olhar ao espelho,

Aproveita 

O que tem

De bom e de bem 

E deita

Fora 

O que tem

De mal e de ruim.


VII

É a ansiedade

Paternal,

Que reside 

 Na felicidade,

No bom final

Da sua mocidade.


LISBOA, 27 DE ABRIL DE 2005


MATTOS (NDO)

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