O QUERER
SER
O ESPELHO
DE CADA FILHO
I
A culpa
Tem
Sempre uma capa,
Sempre trepa
Em alguém
E ninguém
Escapa,
Esteja na Europa,
Na Ásia, na América,
Ou em África.
II
Eu queria ser
O retrato,
O retrato,
O ponto
Essencial de referência
Pela vivência,
Pela minha experiência
Para os meus filhos,
Para vários trilhos!
Mas nem sempre os nossos anseios
Como pais são aceites
Pelos mais novos,
Pois, têm outros valores
Que não coadunam
Com os dos seus progenitores.
III
Mas o desejo,
Muitas das vezes, esbarra-se com o pejo;
A grande aspiração,
Nem sempre corresponde
A realidade.
Contudo, sou um sonhador,
Continuo a sonhar,
Porque quem sonha,
Verdadeiramente caminha.
IV
Eu queria
Que os meus filhos lutassem
Com dignidade;
Fossem
Mais longe
Do que eu estou
E sou
Hoje,
Nesta sociedade
E que abominassem
A miséria.
V
Cada um
Deve ser
O que efetivamente é
E não o que os outros quisessem
Que fosse.
No entanto, há um ponto fulcral
Que todos os seres reconhecem:
O bem e o mal.
VI
Cada filho,
Deve pegar na peneira,
Separa
O joio do milho,
Pesquisa a cegueira
Do pai ao olhar ao espelho,
Aproveita
O que tem
De bom e de bem
E deita
Fora
O que tem
De mal e de ruim.
VII
É a ansiedade
Paternal,
Que reside
Na felicidade,
No bom final
Da sua mocidade.
LISBOA, 27 DE ABRIL DE 2005
MATTOS (NDO)

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